Em Portugal, o mercado de trabalho apresenta disparidades salariais significativas, especialmente para quem está a dar os primeiros passos na vida ativa. Existe um setor específico com uma profissão onde a remuneração dispara para valores muito acima da média nacional, chegando a mais de 13 mil euros mensais logo no início de carreira.
Esta realidade financeira excecional encontra-se na área tecnológica, mais concretamente na função de responsável de desenvolvimento de software. A informação consta no Guia Salarial da consultora Hays para 2026, a que o jornal Expresso teve acesso exclusivo e que retrata as novas dinâmicas de remuneração.
Os valores auferidos por estes quadros técnicos superam largamente qualquer outra função júnior no país. Segundo o relatório, “entre €9285 e €13.214 brutos mensais” é o intervalo estimado para quem exerce esta função com menos de cinco anos de experiência.
Ouro no setor tecnológico e alternativas
Estas remunerações mensais equivalem a um pacote anual bruto que oscila entre os 130 mil e os 185 mil euros. Indica a mesma fonte que este valor base não inclui sequer outros benefícios ou bónus que as empresas possam oferecer para atrair este talento específico.
Embora a tecnologia lidere destacada, existem outras áreas que pagam ordenados muito competitivos a quem está a começar a carreira. Um diretor de unidade de negócio na indústria farmacêutica ou ciências da vida pode auferir até 118 mil euros anuais no mesmo período de tempo.
O setor financeiro também se destaca nestas tabelas de remuneração para perfis de elevada responsabilidade. Um diretor financeiro com a mesma experiência de cinco anos consegue atingir um teto salarial de 82 mil euros brutos por ano.
Empresas querem contratar mas faltam candidatos
O cenário de recrutamento enfrenta contudo um desafio que não se verificava com tanta intensidade desde 2011 em território nacional. Explica a referida fonte que existe um desfasamento profundo e acentuado entre a vontade das empresas em contratar e a disponibilidade dos trabalhadores para mudar de emprego.
Cerca de 87 por cento dos empregadores nacionais manifestam intenção de reforçar as suas equipas durante o ano de 2026. Em contrapartida, apenas dois terços dos profissionais mostram abertura para abraçar novos projetos profissionais nesta fase.
A resistência à mudança traduziu-se num número elevado de recusas dadas a propostas de trabalho no ano transato. Mais de metade dos candidatos recusou ofertas, com o valor do salário a ser apontado como o principal motivo para 62 por cento dos inquiridos.
Risco estratégico e pressão inédita
A diretora-geral da Hays alerta que contratar deixou de ser apenas uma intenção para se tornar um risco estratégico para as organizações. Paula Baptista sublinha que este desequilíbrio está a redefinir as regras do jogo no mercado laboral português e a criar dificuldades acrescidas aos departamentos de recursos humanos.
Os dados mostram um fosso de 20 pontos percentuais entre a procura e a oferta de talento disponível no mercado. A consultora classifica este momento como uma pressão inédita sobre a capacidade das empresas para crescerem e competirem num ambiente económico exigente.
Indústria e engenharia em dificuldades
A escassez de mão de obra qualificada deixou de ser um problema passageiro para se tornar uma questão estrutural com impacto na competitividade. Áreas como a indústria, construção e energia continuam a sentir dificuldades significativas no preenchimento de vagas técnicas essenciais.
As empresas procuram sobretudo perfis ligados à engenharia, manutenção e automação que combinem competências técnicas com valências digitais. O foco de contratação para este ano incidirá também fortemente nas equipas comerciais e de tecnologias de informação.
Explica ainda o Expresso que a maioria das empresas prevê realizar aumentos salariais durante o ano de 2026 para tentar reter talento. No entanto, quase metade dos trabalhadores inquiridos não tem qualquer expectativa de ver o seu ordenado atualizado nos próximos meses.
















