Viver no Luxemburgo com um salário mínimo bruto de 2.700 euros pode parecer sinónimo de conforto à distância. No entanto, para alguns emigrantes portugueses, o fim do mês chega depressa e o dinheiro nem sempre acompanha o ritmo do custo de vida. Foi esse o caso de Manuel, um trabalhador português que deixou o país há três anos com esperança de poupar, pagar pensões e, com o tempo, regressar mais seguro.
De acordo com o portal de notícias Contacto, o emigrante mudou-se após o fim de um casamento de 14 anos e procurou no Grão-Ducado estabilidade financeira. Trabalha no exterior de uma superfície comercial, com folga apenas ao domingo, sob chuva, neve ou frio. Em Portugal ganhava salário mínimo como feirante, mas o rendimento bastava para contas e convívio, algo que deixou de ser possível desde que emigrou.
Quando 2.400 euros líquidos não chegam para viver
Segundo a mesma fonte, o salário que recebe hoje fica reduzido após descontos, restando cerca de 2.400 euros. Metade deste valor destina-se à renda e despesas fixas. Depois de meses num quarto alugado, decidiu viver fora do Luxemburgo, numa cidade alemã, onde o custo de habitação é menor. Alimenta-se com simplicidade, desloca-se de bicicleta após ter vendido o carro por 500 euros para evitar uma reparação de 3.000 euros e envia entre 100 e 120 euros para cada filho sempre que pode.
Escreve o portal que as viagens a Portugal só acontecem quando encontra preços baixos e que o Natal e Ano Novo serão novamente passados sozinho. A próxima ida à família está marcada para janeiro, com um bilhete comprado por 53 euros. Porém, mesmo com sacrifício, o emigrante mantém prioridade: “dar algum dinheiro” aos filhos.
Solidão, barreiras linguísticas e pouco espaço para recomeçar
Acrescenta a publicação que a distância da família pesa mais do que o valor no recibo. Sem o domínio do francês, raramente socializa e diz viver entre casa e trabalho. A formação linguística gratuita existe apenas em Wiltz e os horários não são compatíveis com a jornada laboral. Recorda que em Portugal ia ao café diariamente, algo que hoje considera impossível dentro do orçamento mensal.
Refere a mesma fonte que o trabalhador admite que seria mais feliz em Portugal, mesmo ganhando menos. Contudo, pagar renda, despesas e pensões com salário nacional seria inviável. Se o mínimo português chegasse aos 1.100 euros, afirma que regressaria sem hesitar, dizendo que uma casa equivalente à atual custaria cerca de 300 euros na sua terra.
Conselho para quem pondera emigrar
Citado pelo Contacto, o emigrante recomenda o Luxemburgo apenas a quem tenha qualificações e domínio da língua. Para quem depende do salário mínimo, descreve uma vida de contenção permanente, longe da família e sem margem para imprevistos. Continua por obrigação, não por escolha, e prevê permanecer mais dois ou três anos para garantir o mínimo necessário aos filhos.
Manuel deixa uma frase que resume a experiência: “É tão difícil viver com o salário mínimo no país mais rico da Europa”.
















