Nos últimos anos, várias formas de fraude financeira têm-se multiplicado, explorando sobretudo a ingenuidade de jovens e estudantes. Entre estes esquemas, destaca-se o chamado “money muling”, que envolve a utilização de contas bancárias de terceiros para movimentar fundos de origem ilícita, muitas vezes sem que o titular perceba que está a cometer um crime.
Definição e alcance
De acordo com o Saldo Positivo, site da Caixa Geral de Depósitos dedicado a educação financeira, trata-se de um esquema em que alguém empresta ou cede a sua conta a terceiros, com o objetivo de disfarçar a origem criminosa do dinheiro.
A pessoa envolvida é conhecida como “money mule”, ou mula de dinheiro. A mesma fonte alerta que, por vezes, crianças e jovens entram inadvertidamente neste tipo de operações através de plataformas de jogos online ou aplicações populares.
Recrutamento das vítimas
Os criminosos abordam potenciais alvos através de redes sociais, e-mails, sites de emprego ou até presencialmente, apresentando ofertas que parecem legítimas, como trabalhos remotos ou oportunidades de rendimento extra.
A vítima recebe o dinheiro, fica com uma comissão e envia o restante para outra conta, muitas vezes no estrangeiro ou recorrendo a métodos difíceis de rastrear, como criptomoedas.
Consequências legais
Mesmo sem intenção, quem participa pode enfrentar acusações criminais. Segundo o Saldo Positivo, a pessoa que empresta a conta é a única responsabilizada quando o esquema é descoberto.
A participação em money muling pode configurar branqueamento de capitais, punível com prisão. A legislação reforça que cada titular de conta é responsável pelo que nela circula.
Crimes associados ao esquema
Estas operações estão frequentemente ligadas a cibercrime, fraudes online, tráfico de pessoas ou usurpação de identidade.
Segundo a mesma fonte, mesmo que a participação seja indireta, a pessoa que cede a conta contribui para a operacionalização destes crimes.
Campanhas de alerta
Para reduzir os casos de “money muling”, autoridades internacionais têm promovido campanhas de sensibilização.
Em 2022, a Interpol, em parceria com entidades de 34 países, incluindo Portugal, lançou a iniciativa A tua conta, o teu crime, alertando para os riscos e consequências legais de se envolver neste tipo de fraude.
Sinais de suspeita
É importante desconfiar de propostas de dinheiro fácil ou pedidos para fornecer dados bancários. O Saldo Positivo salienta que qualquer instrução para transferir fundos em troca de uma comissão deve ser considerada suspeita e que a prudência é a principal defesa contra estas fraudes.
Como proteger a sua conta
Recusar ofertas duvidosas e manter-se informado são passos essenciais. Aceitar movimentar fundos sem questionar a sua origem pode expor o titular a problemas legais graves e comprometer o seu futuro financeiro.
Responsabilidade pessoal
Cada titular de conta deve compreender que a utilização indevida do banco, mesmo sem intenção, acarreta consequências sérias. Evitar tornar-se cúmplice exige atenção, dúvida e ação responsável, alerta o Saldo Positivo.
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