Em casa, a água pode já ter baixado, mas os riscos associados a uma inundação estão longe de desaparecer. Nas horas e dias seguintes a uma cheia, muitos proprietários cometem erros que parecem inofensivos, mas que acabam por agravar danos estruturais, comprometer a saúde da família e dificultar o acesso a indemnizações do seguro. Em vários casos, são decisões tomadas nas primeiras 48 horas que explicam prejuízos elevados meses mais tarde.
De acordo com o Ekonomista, site especializado em economia, o período imediatamente após uma inundação é determinante para limitar perdas materiais e evitar problemas prolongados. A pressa em limpar e regressar à normalidade é compreensível, mas pode sair cara quando não é acompanhada de cautela e planeamento.
Entrar em casa sem avaliar riscos pode ser o primeiro erro grave
Um dos deslizes mais comuns acontece logo no regresso à habitação. Mesmo depois de a água recuar, a estrutura do edifício pode estar fragilizada. Fissuras nas paredes, portas que deixaram de fechar corretamente ou pisos desnivelados são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Há ainda o risco elétrico. Instalações molhadas, quadros elétricos submersos ou tomadas húmidas continuam a representar perigo real de eletrocussão ou incêndio. Segundo a mesma fonte, a eletricidade só deve ser restabelecida após inspeção por um eletricista qualificado, mesmo que tudo pareça seco à superfície.
Limpar antes de documentar os danos pode custar-lhe a indemnização
Outro erro frequente é avançar imediatamente para a limpeza sem registar os estragos. Fotografias e vídeos detalhados de cada divisão, do nível atingido pela água e dos bens danificados são essenciais para qualquer processo junto da seguradora.
A mesma fonte explica que muitos pedidos de indemnização falham ou são reduzidos porque os danos não ficaram devidamente comprovados. Móveis descartados sem registo, eletrodomésticos ligados antes de avaliação técnica ou paredes pintadas antes da vistoria podem dificultar a prova dos prejuízos reais.
A humidade invisível é um inimigo silencioso
Mesmo quando a casa parece seca, a humidade pode permanecer escondida em paredes, pavimentos, tetos falsos e estruturas de madeira. Este é um dos erros mais subestimados após uma inundação.
Segundo o Ekonomista, a água retida cria condições ideais para o aparecimento de bolores e fungos, que surgem dias ou semanas depois. Para além dos danos materiais, estes organismos estão associados a problemas respiratórios, alergias e agravamento de doenças crónicas, sobretudo em crianças e idosos.
A simples abertura de janelas raramente é suficiente. Em muitos casos, é necessário recorrer a desumidificadores e garantir uma secagem lenta e controlada, evitando soluções rápidas que apenas mascaram o problema.
Ligar equipamentos sem inspeção técnica agrava os estragos
Outro erro comum é tentar recuperar eletrodomésticos ou sistemas técnicos sem avaliação profissional. Equipamentos que estiveram submersos ou parcialmente molhados podem aparentar funcionar, mas ficam sujeitos a curto-circuitos ou falhas graves mais tarde.
O mesmo se aplica a sistemas de aquecimento, caldeiras, painéis elétricos e canalizações. A mesma fonte sublinha que a intervenção de técnicos certificados, apesar do custo inicial, evita reparações muito mais dispendiosas no futuro.
Descuidar a saúde após a inundação é um risco real
As consequências de uma inundação não são apenas materiais. A água contaminada pode conter esgotos, produtos químicos e bactérias. O contacto direto sem proteção adequada aumenta o risco de infeções e doenças gastrointestinais.
Além disso, o impacto emocional de ver a casa afetada não deve ser desvalorizado. Ansiedade, insónias e stress são comuns após este tipo de ocorrência. Ignorar estes sinais pode atrasar a recuperação global da família.
Saber quando pedir ajuda faz a diferença
Há situações em que improvisar sai caro. Estruturas danificadas exigem avaliação de um engenheiro civil. Instalações elétricas devem ser verificadas por profissionais. Em casos mais graves, empresas especializadas em recuperação pós-inundação conseguem acelerar processos que, de outra forma, demorariam meses.
Segundo o Ekonomista, agir com método, documentar tudo e respeitar as etapas certas nas primeiras 48 horas é a melhor forma de evitar que uma inundação pontual se transforme num problema prolongado e financeiramente devastador.
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