Neptuno vai “entrar” em Carneiro no zodíaco tropical, um marco que alguns astrólogos descrevem como o início de uma nova fase, por ser um movimento pouco frequente e associado, na última vez, ao século XIX. A ideia deste fenómeno raro está a circular em artigos internacionais, incluindo previsões assinadas por Aliza Kelly, conhecida astróloga e escritora norte-americana, mas convém separar o que é leitura astrológica do que é astronomia.
De acordo com o Notícias ao Minuto, e para quem acompanha astrologia, “Neptuno em Carneiro” é apresentado como um sinal de viragem coletiva, com palavras fortes: mudanças culturais, espirituais e até políticas. Essa narrativa ganhou novo fôlego com textos recentes que recuperam a comparação histórica com 1861, ano frequentemente citado por coincidir com o início da Guerra Civil Americana.
Já do ponto de vista astronómico, a raridade tem uma explicação simples: Neptuno demora cerca de 165 anos a completar uma volta ao Sol. Ou seja, estes “regressos” ao mesmo setor do céu, quando traduzidos para linguagem astrológica, não acontecem muitas vezes numa vida humana.
Porque é que este trânsito está a ser chamado um fenómeno “raro”
Na astrologia ocidental (tropical), o ingresso de um planeta num signo é tratado como uma mudança de “tom” simbólico. No caso de Neptuno, associado a imaginação, dissolução, idealismo e ilusões, a entrada em Carneiro (signo ligado a ação e iniciativa) é descrita como uma passagem do “sonho” para a “atitude”.
Aliza Kelly, citada em artigos como o da The Cut, defende que este movimento pode tornar as convicções mais “visíveis” e impulsionar ondas de afirmação identitária e ativismo. É uma leitura típica do género: não é uma previsão verificável, mas uma interpretação de símbolos para quem usa astrologia como ferramenta de significado.
Há ainda um detalhe técnico que explica porque é que 2026 é apontado como “o começo a sério”: algumas efemérides usadas por astrólogos indicam que Neptuno “toca” Carneiro antes, mas só a partir de 26 de janeiro de 2026 fica no signo de forma mais contínua (com fases de entrada/saída no período).
O que mais aparece nas previsões para 2026
Muitos textos astrológicos sobre 2026 não falam apenas de Neptuno: destacam também a entrada de Saturno em Carneiro a 13 de fevereiro de 2026, um planeta associado a regras, responsabilidade e estrutura. A combinação é apresentada como “choque” entre idealismo (Neptuno) e realidade (Saturno), com impacto em objetivos pessoais e decisões coletivas.
Outra peça recorrente nestas previsões é a referência a eclipses ao longo do ano, descritos como momentos de “viragem” emocional e de prioridades. Aqui, novamente, trata-se de linguagem astrológica: serve para enquadrar narrativas pessoais, não para antecipar eventos concretos no mundo real.
É por isso que aparece tantas vezes a palavra “temido” em artigos de lifestyle: não é “temido” por ser perigoso em termos científicos, mas porque alguns astrólogos associam estes ciclos a períodos de instabilidade, reconfiguração e decisões difíceis, uma forma de dramatização comum no género.
O que isto “significa”, e o que não significa
O que é seguro dizer: há um facto astronómico (Neptuno tem um ciclo longo) e há uma leitura cultural (há quem use esses ciclos como metáfora para fases da vida e do mundo). A astrologia, porém, não é um método científico e não existe consenso científico de que posições planetárias causem acontecimentos humanos.
De acordo com o Notícias ao Minuto, para leitores que seguem astrologia, a forma mais útil de consumir este tipo de conteúdo é como guia narrativo: em vez de “vai acontecer X”, olhar para “que temas quero trabalhar?”, ação, coragem, limites, idealismo, responsabilidade, os grandes rótulos associados a Carneiro, Neptuno e Saturno.
Em 2026, o “fenómeno” que está a gerar conversa é, portanto, duplo: por um lado, um movimento raro no relógio longo do Sistema Solar; por outro, a forma como essa raridade é transformada em história e expectativa por quem lê os astros.
















