Chegar ao carro e não conseguir abrir a porta do condutor porque outro veículo ficou encostado parece, à primeira vista, um caso típico de falta de civismo. Nem sempre é só isso. Em vários relatos recentes, esta manobra surge como ponto de partida para furtos rápidos a condutores distraídos. De acordo com o site de tecnologia Leak, há situações em que o estacionamento ‘colado’ é usado para forçar a vítima a sair da rotina, baixar a guarda e expor os seus pertences.
O padrão repete-se. O veículo “infrator” fica tão perto que impede a entrada normal. O condutor tenta contornar o problema, passa para o lado do passageiro, pousa a mala no banco traseiro, perde tempo a olhar para o estrago. É nesse intervalo que alguém aparece a “ajudar”.
Segundo a mesma publicação, a abordagem é cordial, breve e eficaz: um gesto para abrir a porta, uma pergunta, um empurrão discreto. O furto consuma-se em segundos. Em parques de centros comerciais, hospitais ou zonas pouco vigiadas, o estratagema passa facilmente despercebido.
Sinais que devem levantar desconfiança
Nem todo o mau estacionamento é uma armadilha. Ainda assim, há sinais que merecem atenção. Se notar pessoas a observar à distância, movimentos de aproximação assim que tenta entrar no carro, um veículo que surge e desaparece de forma coordenada ou um local demasiado isolado, o melhor é agir com prudência.
O Leak sublinha que alguns destes episódios começam com o carro bloqueado e terminam com carteiras, mochilas e telemóveis retirados do interior, sem recurso à força.
O que diz a lei sobre estacionar ‘colado’
Mesmo sem intenção criminosa, a legislação é clara. Estacionar de modo a impedir a entrada ou saída de pessoas constitui infração. O Código da Estrada proíbe este comportamento no âmbito do regime de paragem e estacionamento e prevê coimas que, em regra, oscilam entre 30 e 150 euros.
Quando o bloqueio é total ou a segurança está em causa, as autoridades podem ordenar a remoção do veículo por reboque, nos termos do artigo 163.º. Em caso de conflito, chamar a PSP ou a GNR é a via adequada: o direito a aceder ao automóvel está protegido e o registo da ocorrência salvaguarda-o.
Como agir sem se expor
Em contexto suspeito, a pressa joga contra si. Observe o entorno antes de abrir portas, confirme se há pessoas a circular em demasia junto ao seu carro e mantenha objetos de valor fora de vista. Em espaços com vigilância, peça a presença de um segurança para o acompanhar. Se a sensação de risco persistir, contacte de imediato as autoridades e descreva a situação.
Evite confrontos diretos: desconhece quantas pessoas estão envolvidas e até que ponto estão dispostas a forçar o desfecho. O Leak recorda que estes esquemas dependem quase sempre de segundos de distração; anulando essa janela, reduz drasticamente a probabilidade de ser alvo de furto.
O estacionamento ‘colado’ pode ser só desleixo, mas também pode ser um gatilho para o assalto perfeito: rápido, silencioso e sem danos visíveis. Trate cada caso com prudência. Se for apenas má educação, não perdeu nada por ser cauteloso; se for uma tentativa de furto, essa atenção pode evitar um susto maior.
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