A segurança rodoviária não depende apenas da atenção ao volante ou do respeito pelos limites de velocidade. Muitas vezes, os detalhes mais discretos no interior do carro podem fazer toda a diferença quando acontece um imprevisto na estrada. Pequenos gestos de prevenção, aparentemente banais, podem reduzir o impacto de uma colisão e evitar consequências mais graves. Um desses casos é: os cintos de segurança traseiros estarem presos mesmo quando não há passageiros.
Porque é que os cintos devem estar sempre presos
É neste contexto que surge uma recomendação que está a gerar discussão entre automobilistas: os cintos de segurança traseiros devem permanecer presos mesmo quando não há passageiros. De acordo com a Direção Geral de Trânsito (DGT) de Espanha, esta prática está relacionada com o chamado “efeito elefante”. Trata-se do fenómeno que explica a forma como objetos soltos no habitáculo ou na bagageira podem ser projetados com enorme força em caso de travagem brusca ou acidente.
A física ilustra o risco com clareza. Segundo cálculos da mesma entidade, um simples telemóvel pode transformar-se num projétil de quase 4 quilos se o carro circular a 50 km/h, e superar os 12 quilos a 90 km/h.
Se estivermos a falar de malas ou mochilas, o impacto pode equivaler a centenas de quilos. O jornal espanhol La Vanguardia escreve que uma mala de 4 kg pode atingir 158 kg numa colisão a 50 km/h e uns impressionantes 512 kg se a velocidade for de 90 km/h.
A ameaça invisível dentro do carro
Não são apenas malas de viagem que levantam preocupações. Mochilas, sacos de praia, boias e insufláveis transportados dentro do carro podem reduzir a visibilidade do condutor e, em caso de acidente, tornar-se em projéteis perigosos. A recomendação, segundo a mesma fonte, é clara: encher os insufláveis apenas no destino.
Também a forma como a bagagem é colocada na bagageira tem influência direta na segurança. Os itens mais pesados devem ser colocados na parte inferior e ao centro, distribuindo o peso de forma equilibrada.
No caso dos SUV e de veículos sem divisória fixa entre a bagageira e o habitáculo deve ser instalada uma grade de proteção. E, mesmo sem passageiros, manter os cintos traseiros presos garante mais uma barreira de contenção.
Transportar pranchas e caiaques
O alerta estende-se a objetos maiores, como pranchas de surf, windsurf ou caiaques. Transportá-los dentro do habitáculo aumenta exponencialmente o risco.
O mais seguro é utilizar suportes homologados no tejadilho, devidamente equipados com capas e fixações adequadas. A carga deve ficar bem presa e distribuída, sem ultrapassar os limites definidos pelo fabricante.
Peso extra significa maior risco
Mais peso significa também maior distância de travagem e mais resistência ao ar. Em viagens com carga extra o condutor deve reduzir a velocidade, antecipar as manobras e manter distâncias de segurança mais largas.
Num primeiro olhar pode parecer apenas um detalhe, mas prender os cintos traseiros mesmo quando ninguém os usa é uma medida simples que, de acordo com a DGT de Espanha, pode conter a força invisível dos objetos soltos e evitar que um acidente se torne ainda mais grave.
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