Durante anos, o furto de automóveis esteve associado a arrombamentos, vidros partidos ou chaves roubadas. Hoje, o cenário mudou. Cada vez mais veículos são levados sem qualquer dano visível, sem alarmes acionados e sem deixar vestígios. O motivo é um método tecnológico conhecido como relay attack, que explora fragilidades dos sistemas de abertura e arranque sem chave do carro para o roubar, cada vez mais comuns nos automóveis modernos.
Neste tipo de furto, o carro não é forçado nem violado. Para todos os efeitos, o sistema interpreta que a chave legítima está presente e autoriza a abertura das portas e o arranque do motor.
Em poucos segundos, o veículo desaparece, muitas vezes durante a noite, sem que o proprietário se aperceba do que aconteceu.
Como funciona o relay attack e por que este método pode ser usado para roubar o seu carro
O relay attack baseia-se na amplificação do sinal emitido pela chave eletrónica do automóvel. De acordo com a Guarda Nacional Republicana (GNR), num vídeo publicado na rede social Instagram, os criminosos utilizam dois dispositivos eletrónicos: um é colocado junto à habitação, perto de portas ou janelas, e o outro junto ao veículo estacionado no exterior.
O primeiro aparelho capta o sinal da chave guardada dentro de casa e amplifica-o. Esse sinal é transmitido para o segundo dispositivo, que o envia para o carro.
O sistema do veículo interpreta que a chave está nas proximidades, desbloqueia as portas e permite o arranque, tudo sem qualquer intervenção física.
Segundo a mesma fonte, este método é particularmente difícil de detetar porque não deixa marcas, não ativa alarmes e não exige contacto direto com a chave original.
Carros com sistema keyless são os mais vulneráveis
Os veículos equipados com sistemas keyless, que dispensam a introdução física da chave para abrir portas ou ligar o motor, são os principais alvos deste tipo de furto.
A tecnologia foi desenhada para facilitar a vida do condutor, mas acabou por abrir uma nova porta à criminalidade organizada.
A GNR tem alertado para o crescimento deste fenómeno, sublinhando que muitos proprietários só percebem o que aconteceu horas depois, quando já não há rasto do automóvel.
Há formas simples de reduzir o risco
Apesar da sofisticação do método, existem medidas acessíveis que podem dificultar significativamente este tipo de furto. De acordo com a GNR, uma das mais eficazes é guardar a chave do carro numa bolsa bloqueadora de sinal, também conhecida como bolsa Faraday. Este acessório impede que o sinal da chave seja captado ou amplificado, neutralizando o relay attack.
Outra recomendação passa por evitar deixar a chave perto de portas, janelas ou paredes exteriores. Guardá-la num local mais interior da casa reduz a probabilidade de o sinal ser alcançado pelos dispositivos usados pelos criminosos.
Medidas adicionais podem fazer a diferença
A autoridade aconselha ainda a utilização de sistemas complementares de segurança no veículo, como bloqueadores de volante, localizadores GPS ou alarmes adicionais independentes do sistema keyless.
Embora não impeçam totalmente o furto, aumentam o tempo necessário para o cometer e tornam o automóvel menos apelativo.
Segundo a GNR, são pequenos hábitos que podem ter um impacto decisivo na prevenção. Num contexto em que a criminalidade automóvel recorre cada vez mais à tecnologia, a proteção passa também por uma maior consciência dos riscos associados aos sistemas modernos.
Para quem possui um carro com acesso e arranque sem chave, estas precauções deixam de ser opcionais e tornam-se uma parte essencial da segurança diária para se proteger deste método tecnológico que pode ser usado para roubar o seu automóvel.
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