Com grande parte do território continental a registar temperaturas máximas acima dos 40 graus, o Algarve destaca-se, por estes dias, como a região menos quente do país. Aparentemente uma vantagem, esta realidade não tem sido sinónimo de dias de praia perfeitos para quem viajou em busca de sol e mar. Ventos fortes e nuvens persistentes dificultam a abertura de chapéus e bloqueiam os raios solares que deveriam aquecer o areal.
Em Quarteira, por exemplo, foi assim que Ludovina, visitante habitual vinda de Penafiel, encontrou a manhã balnear da última segunda-feira, 4 de agosto. Em declarações à SIC, a veraneante lamentou o contraste com o norte do país, onde o calor se faz sentir intensamente. “Viemos nós andar tantos quilómetros para isto. O norte com tanto calor e nós aqui assim. É horrível. Há trinta e poucos anos que venho para cá e nunca vi a Quarteira assim”, afirmou.
A situação, ainda assim, não é irreversível: ao longo do dia, o céu tende a abrir, mas as temperaturas dificilmente ultrapassam os 28 graus, enquanto o vento se mantém até ao final da tarde.
Praia fresca, mar convidativo
Segundo a mesma fonte, perante a força do vento, muitos optam por se refugiar nos 21 graus da água do mar, tornando a experiência balnear menos soalheira, mas ainda assim suportável. Esta adaptação evita que a palavra deceção ganhe terreno entre os veraneantes, que procuram alternativas para ocupar o dia até que o vento abrande.
Ao mesmo tempo, o contraste térmico com o resto do país é evidente. O centro e o norte encontram-se sob avisos meteorológicos de calor extremo, com distritos, como Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Bragança em alerta vermelho, enquanto Lisboa, Coimbra, Santarém ou Castelo Branco enfrentam alertas laranja. Faro permanece fora de qualquer aviso, refletindo o impacto mitigado da onda de calor na região algarvia.
Onda de calor prolongada no resto do país
Escreve o portal Meteored que Portugal continental está sob o efeito de uma massa de ar muito quente, com temperaturas de 28 a 30 graus a cerca de 1.500 metros de altitude. Este fenómeno, apelidado de “forno ibérico”, contribui para valores anormalmente elevados para a primeira quinzena de agosto e poderá prolongar a onda de calor até meados do mês.
Acrescenta a publicação que em cidades do interior, como Mirandela, Pinhão ou Ponte de Sor, as máximas podem atingir os 43 ou 44 graus, enquanto capitais de distrito, como Santarém, Castelo Branco ou Coimbra rondam os 40 graus. Mesmo nas regiões habitualmente mais amenas, como o litoral norte, prevê-se que as temperaturas atinjam níveis pouco usuais para a época.
Noites tropicais e riscos acrescidos
Refere a mesma fonte que o perigo da onda de calor não se limita à intensidade diurna. As temperaturas mínimas entre 20 e 25 graus promovem noites tropicais em quase todo o território, incluindo áreas onde são menos frequentes, como o interior norte.
Esta persistência térmica aumenta os riscos para a saúde pública e para a ocorrência de incêndios florestais, agravados pela possibilidade de trovoadas secas em alguns pontos do país.
Fenómenos como poeiras em suspensão e nuvens de média altitude podem, pontualmente, travar a subida das temperaturas, mas não alteram o panorama geral. Com o país em alerta, a atenção às recomendações do IPMA e da Proteção Civil é essencial para mitigar os efeitos desta onda de calor.
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