A Delegação Regional Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) promoveu, no passado dia 6 de fevereiro, mais uma edição das “Tertúlias a Sul”, desta vez dedicada ao tema “Trauma Psicológico – impactos e intervenção da infância à idade adulta”, numa sessão realizada na Biblioteca Municipal de Lagoa.
A iniciativa foi dinamizada pelo presidente da Delegação Regional Sul da OPP, Miguel Coutinho, e pelo vogal Dinis Catronas, responsável pela moderação da conversa. A tertúlia reuniu cerca de 65 psicólogos da região, contando ainda com a participação das psicólogas Iara Silva, Mónica Mexia e Suzana Guedes.
O trauma psicológico e as suas múltiplas manifestações ao longo do ciclo de vida estiveram no centro do debate, reunindo profissionais que intervêm nesta área em diferentes fases do desenvolvimento. O objetivo passou por aprofundar a compreensão dos impactos do trauma desde a infância até à idade adulta e por partilhar estratégias de intervenção clínica baseadas na evidência científica.
Durante a sessão foram analisados temas fundamentais como os efeitos do trauma precoce no desenvolvimento emocional, cognitivo e relacional, a forma como estas experiências se refletem em diferentes etapas da vida e o papel do apego e da identidade nos processos de regulação emocional e recuperação. Foi ainda destacada a importância da deteção precoce, da avaliação multidimensional e da criação de contextos terapêuticos seguros e sensíveis à história de cada pessoa.
Durante a sua intervenção, Miguel Coutinho deixou também uma mensagem de solidariedade, sublinhando que “a Direção Regional do Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses expressa a sua mais profunda solidariedade para com todas as pessoas e comunidades afetadas pelas fortes tempestades e cheias que têm assolado o país nos últimos dias”.
O responsável acrescentou que a OPP recebeu pedidos para ativar a bolsa de Psicólogos Voluntários para a Intervenção Psicológica em Situação de Catástrofe, solicitados por várias entidades, assegurando que “as equipas irão para o terreno”.
Foram igualmente debatidos temas como a neurobiologia do trauma, os desafios éticos da prática clínica e os fatores que devem orientar o momento e a escolha das abordagens terapêuticas, mais do que a técnica em si. Os participantes refletiram ainda sobre a distinção entre respostas adaptativas ao trauma e quadros psicopatológicos, bem como sobre o papel do terapeuta e a importância do autocuidado.
A tertúlia proporcionou um espaço de partilha e reflexão entre profissionais, promovendo o debate interdisciplinar, a troca de experiências e o reforço da colaboração entre psicólogos da região, tendo terminado com o reconhecimento da relevância destas iniciativas para uma prática psicológica informada e ética.
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