A escritora Lídia Jorge recebe hoje o Prémio Pessoa, numa cerimónia que terá lugar no átrio central da sede da Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Lisboa.
A distinção foi atribuída à autora em dezembro do ano passado, no âmbito da 39.ª edição do prémio promovido pelo semanário Expresso.
O júri desta edição foi presidido por Francisco Pedro Balsemão e integrou Paulo Macedo, presidente da comissão executiva da CGD, entidade patrocinadora do galardão, bem como Ana Pinho, Ana Tostões, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Emílio Rui Vilar, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.
Em ata, o júri destacou a “escrita criativa e diversificada” da autora de “Misericórdia”, que “tem sido capaz de revelar o poder da literatura para ajudar a compreender os grandes desafios do mundo contemporâneo”, bem como “a sua intervenção cívica corajosa”, que “tem contribuído decisivamente para enriquecer o debate democrático na sociedade portuguesa”.
“A obra de Lídia Jorge incide sobre um espetro muito amplo de temáticas, desde o impacto de situações vivenciais extremas nos seus personagens à recriação de contextos que evocam momentos históricos decisivos da vida portuguesa do último século, em particular no período pós-25 de Abril [de 1974], como a descolonização, a transição da ditadura para a democracia, a exclusão social e a emergência de novos fenómenos de discriminação e fratura social”, lê-se na decisão do júri.
Percurso literário e reconhecimento nacional e internacional
Nascida há 79 anos em Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge estreou-se no romance em 1980 com “O Dia dos Prodígios”. Ao longo da carreira, recebeu os mais importantes prémios literários portugueses e internacionais, como o Prémio Médicis de Melhor Romance Estrangeiro publicado em França, por “Misericórdia”, em 2023, e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas em 2020, de Guadalajara, um dos mais importantes da América Latina.
Ao Prémio Pessoa juntam-se outras distinções que a autora de “O Vale da Paixão” (1998) e “Os Memoráveis” (2014) tem recebido, designadamente, os prémios da Latinidade, da União Latina e Luso-Espanhol de Arte e Cultura.
O Estado português condecorou-a com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e França com a comenda da Ordem das Artes e Letras.
O Prémio Pessoa tem um valor monetário associado de 70 mil euros.
A cerimónia de hoje, com início marcado para as 19:00, tem prevista a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que nomeou a escritora para o Conselho de Estado em 2021, após a morte do professor e ensaísta Eduardo Lourenço, em dezembro de 2020.
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