O escritor e comentador Miguel Sousa Tavares aproveitou o espaço de análise que mantém no Jornal Nacional da TVI, no dia 21 de agosto, para se pronunciar sobre as obras que alteraram uma das praias mais emblemáticas do Algarve. Na opinião do autor, a intervenção no areal corresponde a uma “operação plástica” que acabou por tirar autenticidade ao lugar.
De acordo com Miguel Sousa Tavares, o aumento artificial da Praia Dona Ana, em Lagos, visou permitir novas construções. “Foram buscar areia e fizeram uma operação plástica à praia”, afirmou, considerando que esta “ficou completamente horrenda, com uma areia horrível, parece aquelas pessoas que chegam aos 60 anos e fazem uma plástica falhada e ficam com a caricatura de si próprios”.
Cenário natural com séculos de história
Com ou sem polémica, a Praia Dona Ana continua a ser um dos postais turísticos do Algarve. No topo da falésia, um pequeno miradouro oferece uma perspetiva ampla sobre a linha de costa, onde se destacam as formações rochosas moldadas pelo mar. Entre leixões e pequenas grutas, é comum observar gaivotas e outras aves marinhas a descansar sobre as rochas, enquanto a vegetação típica do litoral, como a barrilha ou a salgadeira, cobre as encostas.
O portal dedicado ao turismo Visit Algarve descreve a praia como um conjunto de enseadas e recantos protegidos pelas arribas, ideais para quem procura um espaço mais resguardado. Já debaixo de água, o mergulho com máscara revela a diversidade marinha da zona: algas, anémonas, ouriços, estrelas-do-mar e pequenos cardumes.
Reconhecimento internacional e preocupações ambientais
Distinguida várias vezes por publicações estrangeiras, a Praia Dona Ana é frequentemente apontada como uma das praias mais belas do mundo. No entanto, encontra-se numa área de risco de derrocada, o que leva as autoridades a aconselhar cuidado nas zonas próximas às falésias.
O site Algarve Portugal Tourism recorda que, em 2015, a praia foi alvo de uma obra de ampliação, depois de o areal ter diminuído significativamente. A areia retirada do fundo do mar permitiu duplicar o espaço disponível, num investimento próximo dos dois milhões de euros. A medida, porém, gerou divisão: alguns apontaram ganhos de segurança para os banhistas, enquanto outros lamentaram a perda da paisagem original, entre eles, Miguel Sousa Tavares.
Entre o encanto e a crítica
Nos últimos anos, a discussão sobre a estética das praias algarvias tem-se intensificado. Em várias localidades, as intervenções costeiras levantam dúvidas sobre o equilíbrio entre a proteção ambiental e a imagem que se quer vender ao turismo internacional. Em Lagos, por exemplo, há quem defenda que o aumento artificial dos areais uniformiza a paisagem e apaga a identidade das praias, tornando-as semelhantes entre si. Para outros, estas obras são uma necessidade prática face à erosão natural e ao aumento do número de visitantes.
O acesso ao areal é feito por uma escadaria de quase uma centena de degraus, o que pode dificultar a entrada a pessoas com mobilidade reduzida. Ainda assim, a Praia Dona Ana mantém-se entre as mais procuradas de Lagos, acolhendo famílias, casais e grupos de jovens. No local há toldos, espreguiçadeiras e um bar de apoio durante a época alta.
Posição central entre Lagos e a Ponta da Piedade
As imagens desta praia são usadas com frequência em campanhas promocionais do destino. A praia ocupa uma posição central entre Lagos e a Ponta da Piedade e durante o verão é habitual estar completamente cheia. As observações de Sousa Tavares reavivam um debate recorrente no Algarve: como equilibrar a preservação da paisagem natural com a pressão turística que sustenta grande parte da economia local.
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