Há quem se queixe de dores de cabeça, tosse ou cansaço depois de passar horas num espaço com ar condicionado. Outros garantem mesmo ter ficado doentes por causa do aparelho. Embora soe a exagero, há cada vez mais estudos que apontam para uma relação entre a má manutenção destes sistemas e problemas de saúde.
De acordo com o The Conversation, um projeto que junta investigadores e jornalistas especializados em ciência, o risco é real. Os especialistas defendem que, quando o ar condicionado não é devidamente limpo e revisto, pode transformar-se num foco de infeções.
Quando o ar fresco não é assim tão saudável
Poeira, humidade e resíduos acumulados nos filtros criam o ambiente ideal para o crescimento de microrganismos. Um microbiologista citado pela mesma fonte explica que a exposição contínua a esses agentes pode provocar reações alérgicas e infeções respiratórias, sobretudo em pessoas mais sensíveis.
Mas o problema não se fica por aqui. O mesmo especialista sublinha que sistemas mal mantidos podem também contribuir para o aparecimento da chamada “síndrome do edifício doente”, um fenómeno que tem vindo a ganhar atenção na comunidade científica.
A síndrome do edifício doente
Esta síndrome manifesta-se em pessoas que passam muito tempo em espaços fechados com ar condicionado e ventilação deficiente.
Entre os sintomas mais comuns estão dores de cabeça, tonturas, congestão nasal, irritação nos olhos, tosse e fadiga. Curiosamente, as queixas tendem a desaparecer quando os afetados saem do local.
Um trabalho final de Mestrado Integrado em Medicina, citado pela mesma fonte, reforça que o problema não se deve apenas ao ar condicionado. Fatores como os materiais de construção, o mobiliário e a ventilação dos edifícios também influenciam a qualidade do ar interior. Quando os aparelhos não funcionam de forma adequada, podem libertar partículas químicas e microrganismos que agravam o mal-estar.
O que dizem os estudos mais recentes
Um estudo publicado em 2023 acompanhou 400 pessoas durante um ano. Metade trabalhava em espaços climatizados e a outra metade não estava exposta a esses sistemas. Os resultados mostraram que o primeiro grupo apresentava mais sintomas relacionados com a síndrome do edifício doente, incluindo alergias, menor capacidade pulmonar e mais faltas por doença.
Outra investigação, de 2022, concluiu que a qualidade do ar interior é um dos principais fatores associados à síndrome. Segundo a mesma fonte, a melhoria da ventilação e a manutenção regular dos equipamentos são as estratégias mais eficazes para reduzir os riscos.
O The Conversation sublinha que o ar condicionado pode ser tanto um aliado como uma ameaça. A diferença está nos cuidados que se têm com ele. Manter filtros limpos e sistemas verificados com regularidade pode ser o que separa um ambiente confortável de um espaço que adoece quem lá passa.
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