Vida simples, sol e ritmo tranquilo são características do nosso país que conquistam cada vez mais estrangeiros. Histórias de quem deixou grandes cidades para viver em Portugal estão a multiplicar-se, mostrando como o país se tornou o refúgio preferido de quem procura tempo, paz e qualidade de vida, como é caso desta americana, que saiu do seu país, mais concretamente de Los Angeles para consolidar a sua vida numa cidade portuguesa.
A norte-americana Kaitlin Wichmann é um desses exemplos. Deixou Los Angeles há quatro anos e garante que nunca foi tão feliz. Aos 31 anos, trocou o trânsito interminável e o trabalho em marketing por uma rotina mais leve em Lisboa, onde trabalha por conta própria como consultora digital, de acordo com o jornal americano New York Post.
“Todos os dias era a mesma coisa: estacionar no mesmo lugar, sentar-me na mesma secretária, olhar para a mesma parede”, contou à mesma fonte. “Chegou um ponto em que pensei: ‘Tem de haver mais na vida do que isto.’”
Lisboa como novo ponto de partida
A mudança aconteceu em 2021, quando decidiu arriscar tudo e mudar-se para Portugal. O clima ameno, a comida saudável e o ambiente mais relaxado foram motivos suficientes para deixar para trás o estilo frenético de Los Angeles.
Hoje, Kaitlin trabalha em média 20 horas por semana, ajudando clientes americanos e portugueses com publicidade online. A liberdade profissional trouxe-lhe algo que diz nunca ter sentido antes: tempo para viver. “Agora a minha vida gira à volta da vida, com o trabalho espalhado pelo meio”, explica, entre risos. “Sinto-me mais feliz e em paz aqui.”
Viver bem com menos
O custo de vida em Lisboa continua a ser um dos grandes atrativos para quem vem de fora. No caso de Kaitlin, as contas mostram bem a diferença. Em junho, gastou cerca de 3.457 dólares (aproximadamente 3.180 euros): menos de metade do que ganha por mês.
A renda e as despesas domésticas ficaram pelos 1.296 dólares (aproximadamente 1.114 euros), e a alimentação rondou os 500 (aproximadamente 430 euros). O resto foi para o que mais valoriza: viajar, ter aulas de ténis e fazer compras ocasionais. “Em Los Angeles, o dinheiro desaparecia só com o básico. Aqui consigo aproveitar a vida”, diz, citada pela mesma fonte.
Um país que atrai cada vez mais estrangeiros
Desde a pandemia, Portugal tornou-se um destino cobiçado para trabalhadores remotos e reformados estrangeiros. O clima, a segurança e a facilidade de vistos, como o D8, criado em 2022 para nómadas digitais, ajudaram a aumentar o fluxo de estrangeiros que escolhem o país.
Mas este sucesso tem dois lados. O aumento de procura elevou rendas e preços, deixando muitos portugueses preocupados com a transformação dos bairros tradicionais. Ainda assim, histórias como a de Kaitlin continuam a inspirar quem sonha com uma vida mais calma.
Um futuro sem pressa
Ao contrário de muitos nómadas que encaram Portugal como paragem temporária, Kaitlin pensa a longo prazo, de acordo com o New York Post. “Quando vim para Lisboa, a ideia era ficar cinco anos e depois decidir o que fazer. Agora, já não me vejo a sair, pelo menos não para fora de Portugal. Gosto mesmo de viver aqui.”
Entre o Tejo, o café da manhã nas esplanadas e o ritmo sem correria, esta americana encontrou o equilíbrio que procurava. E garante que, pela primeira vez, sente que vive de verdade.
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