No Algarve, o 1.º de Maio é mais do que uma data simbólica: é o arranque oficioso da época dos caracóis. Embora seja possível encontrá-los antes e depois, é neste feriado que muitos aproveitam para dar início à tradição do petisco que marca a primavera e o início do calor. E como a preparação nem sempre é simples, partilhamos consigo o método mais eficaz para lavar e cozinhar os caracóis sem perder tempo… ou paciência.
Como acontece todos os anos, os caracóis voltam a ser protagonistas nas mesas algarvias, com receitas que se passam entre gerações. Este guia prático do POSTAL compila os truques mais eficazes para que a experiência seja tão saborosa quanto fácil de preparar.
Como lavar bem os caracóis sem perder uma manhã inteira
A lavagem dos caracóis é essencial. Como muitos alimentam-se de ervas ou farinhas (no caso dos de viveiro), e libertam uma goma viscosa, é necessário garantir uma boa limpeza.
O primeiro passo é passá-los por água para eliminar impurezas visíveis. De seguida, devem ser colocados num alguidar com água a cobri-los e dois punhados generosos de sal grosso.
O sal provoca a libertação de muco, essencial para a limpeza. O recipiente deve estar tapado: mesmo sendo lentos, os caracóis são peritos em fugas pela cozinha.
Após dez minutos, escorre-se a água, renova-se a mistura de sal e água, e os caracóis devem ser esfregados à mão durante alguns minutos. Uma nova passagem por água corrente e estão prontos a ir para a panela.
Recomendamos: Nem cozido nem mexido: esta é a forma mais saudável de cozinhar ovos
Receita para que fiquem todos “à janela”
Para quatro litros de caracóis, comece por esmagar meia cabeça de alhos com casca e colocar no fundo de uma panela grande.
Junte os caracóis bem escorridos e dois punhados de sal. Cubra com água e leve a lume muito brando, com a panela tapada.
Ao fim de três a cinco minutos, os caracóis começam a sair da casca. Quando todos estiverem com a cabeça de fora, suba o lume para o máximo, durante quatro a cinco minutos, ainda com a panela tapada, para evitar que se retraiam, o que os tornaria difíceis de comer.
Temperos certos fazem toda a diferença
Reduza o lume para médio e comece a temperar: adicione uma colher e meia de sopa de azeite, duas malaguetas pequenas inteiras, três casquinhas de limão, um cubo de caldo de galinha e os restantes alhos esmagados com casca.
Os orégãos são indispensáveis. Idealmente usam-se os paus, sem folhas, mas se apenas tiver folhas, use uma bola de chá metálica: coloque lá dentro os orégãos e mergulhe-a no caldo, assim evita encontrar folhas soltas no molho.
Toque final: poejo e descanso
Deixe cozinhar cerca de 20 minutos. Prove, ajuste o sal e desligue o lume. Acrescente entre quatro e oito folhas de poejo (frescas ou secas), tape e deixe repousar mais 15 minutos antes de servir.
Acompanhar como manda a tradição
O trio ideal de acompanhamento mantém-se imbatível: pão, manteiga e cerveja bem gelada. Com esta receita, não há desculpa para não manter a tradição viva, no Algarve ou em qualquer lugar.
Leia também: Esta localidade a meia hora do Algarve tem uma “alta qualidade de vida” e fica ao pé da praia
















