O azeite é um ingrediente essencial na maioria das cozinhas portuguesas, mas quem o vai comprar depara-se com uma variedade de rótulos e designações que podem levantar dúvidas. A escolha nem sempre é simples, pois há diferenças relevantes entre as várias categorias disponíveis no mercado.
Classificações que ajudam a decidir
Estas classificações têm por base critérios como o método de extracção, o nível de acidez e até as características sensoriais do produto. Compreender estas diferenças pode ajudar a fazer escolhas mais informadas e a aproveitar melhor as qualidades do azeite.
O que define um azeite virgem
Segundo a Fundação Espanhola da Nutrição, os azeites virgens são obtidos exclusivamente através de métodos mecânicos, como a prensagem ou centrifugação, sem recurso a processos químicos. Este tipo de extracção preserva o sabor e os nutrientes naturais da azeitona.
Azeite virgem extra: o topo da qualidade
Dentro desta categoria, existe o azeite virgem extra, considerado o de maior qualidade. Tem uma acidez igual ou inferior a 0,8% e é conhecido pelo seu aroma mais intenso e sabor equilibrado. Pode ainda apresentar-se como monovarietal, quando provém de uma única variedade de azeitona, ou como “coupage”, quando resulta da combinação de várias.
Azeite virgem simples: boa relação qualidade/preço
Outra classificação é o azeite virgem simples, com uma acidez que pode ir até aos 2%. Embora de qualidade inferior ao virgem extra, continua a ser uma boa opção para quem aprecia um sabor mais suave e natural.
O que é o azeite lampante
Há também o lampante, com acidez superior a 2%, que não é adequado para consumo directo. Este tipo de azeite é geralmente enviado para processos de refinação ou utilizado para fins industriais.
Recomendamos: “Ouro verde”: espanhóis rendidos ao fruto exótico muito produzido no Algarve que ‘dá’ anos de vida
Como nasce o azeite refinado
Já o azeite refinado resulta de um processo químico aplicado ao azeite virgem com defeitos, como o lampante. Este processo visa eliminar impurezas e odores, resultando num produto mais neutro, com acidez muito baixa, até 0,3%.
Comercial um equilíbrio entre preço e sabor
O comercial designado simplesmente como “azeite” é uma mistura de azeite refinado com uma pequena proporção de azeite virgem (que não inclui o lampante). Esta combinação procura recuperar parte do sabor e das propriedades do produto original, mantendo um preço mais acessível.
Atenção ao rótulo, não apenas à acidez
A acidez é um dos critérios mais visíveis no rótulo, mas não é o único a ter em conta. Outros factores, como o aroma, o sabor e até a origem geográfica, podem ser decisivos na escolha. Existem azeites com Denominação de Origem Protegida (DOP), que garantem a proveniência e autenticidade do produto.
O que diz a ciência da nutrição
De acordo com o HuffPost, durante o programa “Saber Vivir”, a tecnóloga alimentar Beatriz Robles esclareceu que, do ponto de vista nutricional, não há grandes diferenças entre o azeite virgem extra e o azeite virgem. “Se o que nos preocupa é o valor nutricional, tiramos o apelido ‘extra’, ficamos com o azeite virgem, e nutricionalmente são iguais”, explicou.
Sabor: onde está a verdadeira diferença
A principal distinção, segundo a especialista, está no sabor. O virgem extra oferece uma experiência gustativa mais rica, mas para quem não valoriza tanto esse aspecto, o virgem simples pode ser uma alternativa mais económica. “O azeite virgem (sem apelidos) custa metade”, destacou Beatriz Robles.
Usos diferentes, escolhas diferentes
Além do sabor e do preço, vale a pena considerar o uso culinário que se pretende dar. Por exemplo, para temperar a cru, pode justificar-se optar por um virgem extra, enquanto para cozinhar, um azeite virgem simples ou uma mistura pode ser suficiente.
Mais importante que o nome, é o bom uso
Cada tipo tem o seu lugar na cozinha e a escolha depende, em grande parte, do gosto pessoal e do orçamento de cada família. Independentemente da opção, continua a ser uma gordura saudável e uma peça-chave na dieta mediterrânica.
Ler o rótulo pode evitar enganos
Antes de comprar, é útil ler com atenção o rótulo e perceber o que cada designação significa. Assim, evita-se pagar mais por um produto que talvez não traga vantagens concretas para a finalidade desejada.
Leia também: Adeus carta de condução: conheça a idade máxima para continuar a conduzir esta categoria
















