A doçaria tradicional algarvia guarda segredos que atravessam gerações e continuam a surpreender. Entre os mais conhecidos está o chamado doce fino de Portimão, preparado a partir de uma massa de amêndoa que, em tempos, era usada para decorar bolos. A receita mantém-se até hoje e destaca-se pela simplicidade: apenas quatro ingredientes são necessários, um deles tão elementar como a água.
De acordo com o site gastronómico Tradições Doces, a base desta preparação inclui 500 gramas de açúcar, 500 gramas de farinha de amêndoa sem pele, 250 mililitros de água e corantes alimentares. A execução começa por levar ao lume o açúcar com a água, até atingir o ponto pérola. A calda é então misturada com a farinha de amêndoa peneirada, até formar uma massa lisa e maleável.
Uma arte que pede tempo e paciência
Segundo a mesma fonte, depois de preparada, a massa deve descansar durante 12 horas antes de ser moldada. Só então se inicia o trabalho minucioso de dar forma às pequenas figuras, muitas vezes representando elementos do quotidiano algarvio. O toque final é a pintura, feita com corantes alimentares aplicados com pincel ou aerógrafo, conferindo às peças o aspeto colorido que as distingue.
Escreve a loja Doçaria do Sul que o doce fino não se resume à massa de amêndoa. No interior pode levar fios de ovos ou, em algumas versões, doce de ovos. É este detalhe que lhe confere maior riqueza e o insere numa família mais ampla de especialidades regionais, como os morgados e morgadinhos de amêndoa, as cestas e cestinhos ou as figuras conhecidas como lesmas.
Figuras que contam histórias
Acrescenta a publicação que as formas do doce variam conforme a criatividade de quem as produz e o contexto em que são elaboradas. Podem surgir maçãs, figos, flores, galinhas ou porcos, mas também representações ligadas ao mar, como peixes, camarões e estrelas. Em épocas festivas, não faltam motivos relacionados com o Natal, a Páscoa ou até o Halloween, sinal de que a tradição continua a adaptar-se aos tempos.
Refere a mesma fonte que há figuras mais elaboradas, como miniaturas de tachos com pratos típicos ou pequenas cestas de flores. Estes exemplos mostram como a massa de amêndoa serve de tela para expressões artísticas variadas, exigindo técnica, paciência e muitas horas de dedicação.
Património doceiro algarvio
De salientar que o doce fino não é apenas uma sobremesa. É também um elemento cultural que identifica o Algarve e se tornou presença habitual em festas, romarias e lojas de produtos regionais. A sua produção artesanal preserva o saber-fazer transmitido de geração em geração, transformando quatro ingredientes simples em peças que conjugam sabor e identidade.
Assim, o que à primeira vista parece uma receita elementar acaba por revelar um património mais vasto. O doce fino algarvio continua a ser símbolo de criatividade e tradição, mantendo viva uma das expressões mais reconhecidas da doçaria regional portuguesa.
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