Deixar a porta da máquina de lavar roupa aberta é um hábito cada vez mais comum nas casas portuguesas, associado à ideia de que ajuda a evitar odores desagradáveis e o aparecimento de bolor. No entanto, os especialistas alertam que esta prática, se for exagerada, pode trazer problemas para o próprio eletrodoméstico.
A questão ganha relevância porque, após cada ciclo de lavagem, o tambor permanece húmido. Essa humidade cria condições ideais para a proliferação de fungos e bactérias, o que resulta em maus odores e até em manchas escuras difíceis de eliminar. Por isso, muitos consumidores acreditam que a solução é simples: deixar a porta aberta.
Contudo, de acordo com o jornal digital espanhol Noticias Trabajo, a prática de manter a porta sempre escancarada pode ter efeitos negativos a médio prazo. As dobradiças e as borrachas de vedação não foram projetadas para suportar essa pressão constante, o que pode originar fugas de água ou problemas de fecho ao longo do tempo.
Perigo do excesso de ventilação
Ao contrário do que se pensa, a acumulação de pó e sujidade é mais comum em máquinas que permanecem abertas de forma contínua.
Um tambor exposto funciona como qualquer superfície doméstica: capta partículas do ar e resíduos, prejudicando tanto a higiene como a eficiência da lavagem.
Segundo a revista de testes de consumo ÖKO-TEST, o mais indicado é deixar a porta aberta apenas durante cerca de meia hora após cada ciclo, ou pelo menos até o interior secar, podendo ser suficiente deixá-la apenas entreaberta. A publicação, citada pela mesma fonte, acrescenta que lavagens pontuais a 70 graus ajudam a travar fungos e bactérias
A solução está no equilíbrio
Uma alternativa prática passa por deixar a porta entreaberta. Desta forma, evita-se o aprisionamento da humidade sem colocar pressão excessiva nas peças. O objetivo deve ser sempre encontrar um equilíbrio entre limpeza e conservação do eletrodoméstico.
Para reforçar a higiene, os mesmos especialistas recomendam ainda recorrer a lavagens mais intensas em determinados momentos. Lavar roupas de cama e toalhas a 70 graus ajuda a eliminar microrganismos resistentes que não desaparecem em programas de baixa temperatura.
Lavagens de manutenção são essenciais
Outra medida eficaz consiste em realizar lavagens em vazio, utilizando vinagre ou produtos específicos de limpeza. Este processo, de acordo com a fonte anteriormente citada, ajuda a dissolver resíduos de detergente acumulados no tambor e nas condutas, mantendo a máquina mais fresca e funcional.
As juntas de borracha exigem também atenção especial. São o ponto onde mais facilmente se acumulam sabão e pequenas poças de água, criando um ambiente propício para o bolor. Passar um pano seco nessa área depois de cada utilização é uma rotina simples que evita grandes problemas.
O que dizem os fabricantes
Marcas conceituadas reforçam cuidados simples que se alinham com este equilíbrio:
- Samsung aconselha deixar a porta e a gaveta do detergente abertas após a lavagem para permitir que o interior seque e evitar cheiros a mofo. Também recomenda a limpeza do filtro da bomba nos modelos de carga frontal quando necessário;
- LG recomenda executar o ciclo de limpeza do tambor (Tub Clean) cerca de uma vez por mês e limpar a junta da porta para remover resíduos que causam odores.
‘Vida útil’ mais longa com cuidados simples
Combinando estas práticas, é possível manter a máquina de lavar roupa livre de odores e em bom estado de conservação. O segredo está em evitar tanto o fecho imediato da porta como a ventilação prolongada em excesso, refere o Noticias Trabajo.
Ao adotar este conjunto de pequenos gestos, que inclui um curto período de ventilação, ciclos de manutenção e limpeza das juntas, o consumidor assegura um equipamento mais higiénico e prolonga a vida útil da máquina.
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