Com a chegada do frio, muitos começam a preparar varandas, pátios e jardins para os meses mais frios. Retiram-se regas automáticas, cobrem-se bicicletas, móveis e colchões de exterior. Mas há sempre uma dúvida que volta todos os anos: será boa ideia tapar o ar condicionado para o proteger da chuva, do frio e das geadas?
À primeira vista, parece uma precaução sensata. Afinal, o metal e os componentes eléctricos não combinam com humidade nem gelo. No entanto, os especialistas em climatização garantem que a maioria dos sistemas modernos foi pensada para resistir às condições mais severas, sem necessidade de capas ou proteções adicionais.
As unidades exteriores dos aparelhos de ar condicionado são construídas com materiais resistentes à corrosão, concebidos precisamente para suportar frio, vento, neve e até granizo moderado. Além disso, incluem sistemas de drenagem integrados que permitem eliminar automaticamente a água da chuva e o degelo.
Cobrir pode fazer mais mal do que bem
Segundo técnicos do sector, citados pelo jornal espanhol AS, tapar completamente o equipamento pode, na verdade, ser contraproducente. A humidade tende a acumular-se no interior da cobertura, criando um ambiente perfeito para a formação de bolor e ferrugem. Quando a primavera chega, o resultado pode ser um aparelho danificado e um cheiro desagradável nos condutos de ventilação.
O ar aprisionado sob as capas plásticas favorece a condensação e acelera o desgaste das peças metálicas. “É um erro comum pensar que a proteção total é benéfica, quando na verdade reduz a ventilação natural e promove a oxidação”, explicam técnicos de manutenção entrevistados pela revista Clima y Energía.
Há ainda um risco adicional: as capas que não são concebidas especificamente para equipamentos de climatização podem entupir as aberturas de ventilação e provocar sobreaquecimento se o aparelho for ligado acidentalmente durante o inverno.
Quando faz sentido proteger
Há, contudo, situações em que algum tipo de proteção é útil. Se o aparelho estiver instalado sob árvores ou em locais onde se acumulam folhas, ramos e detritos, uma cobertura superior, apenas na parte de cima, pode evitar que o ventilador fique obstruído.
Da mesma forma, em zonas propensas a granizo ou tempestades com partículas de gelo, uma proteção parcial pode evitar impactos que causem pequenas fissuras ou deformações nas grelhas. Nesses casos, deve optar-se por uma capa respirável, que permita a circulação do ar e evite a condensação interna.
Também é importante desligar o fornecimento elétrico e limpar regularmente a área à volta da unidade exterior, removendo folhas e resíduos. Estas tarefas simples ajudam a garantir que o sistema se mantém em boas condições até à próxima utilização.
O que os fabricantes recomendam
A maioria dos fabricantes de sistemas de climatização, como Daikin, Mitsubishi Electric e LG, recomenda não tapar completamente as unidades exteriores. Em comunicados oficiais, estas marcas sublinham que os equipamentos passam por testes rigorosos de resistência à chuva, ao gelo e ao vento antes de serem colocados no mercado.
De acordo com a Associação Portuguesa de Energia e Climatização (APEC), “os aparelhos modernos cumprem normas de durabilidade específicas e estão preparados para suportar as temperaturas extremas registadas em Portugal”. Por isso, o uso de capas é, na maioria dos casos, desnecessário e até prejudicial.
Cuidar melhor, gastar menos
Em vez de recorrer a coberturas, os especialistas citados pelo AS sugerem uma manutenção preventiva simples: limpar os filtros interiores, verificar a drenagem e garantir que não há objetos a obstruir o fluxo de ar. Um pequeno cuidado no final do outono pode evitar despesas elevadas na primavera.
A limpeza periódica do condensador e do evaporador é outro passo essencial. O acúmulo de pó e humidade reduz a eficiência e obriga o aparelho a trabalhar mais, aumentando o consumo de energia.
Tapar ou não tapar?
Em regra geral, não é necessário, nem recomendado, tapar o ar condicionado durante o inverno. O equipamento está preparado para resistir às condições meteorológicas típicas de Portugal, incluindo chuva e frio moderado.
A exceção aplica-se apenas a zonas de montanha ou locais com risco de granizo frequente, onde uma cobertura parcial e ventilada pode fazer sentido. De resto, o melhor “escudo” continua a ser uma boa instalação e manutenção regular.
Antes de recorrer a soluções improvisadas, o conselho é simples: consulte o manual do fabricante e siga as instruções específicas para o seu modelo. É a forma mais segura de proteger o investimento e garantir que, quando o calor voltar, o sistema estará pronto a funcionar sem surpresas.
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