As burlas multiplicam-se e reinventam-se todos os dias. Umas mais sofisticadas, outras quase invisíveis. A mais recente tem chamado a atenção das autoridades por ser tão simples quanto eficaz: um cartão de visita deixado na porta de casa. À primeira vista não passa de publicidade ou do contacto de um serviço banal.
Como funciona o esquema
De acordo com o site especializado em lifestyle, Leak, o truque é discreto. Os burlões distribuem cartões que aparentam pertencer a empresas de gás, eletricidade, reparações ou até a técnicos certificados. O morador, ao ligar para o número indicado, acaba por falar com alguém preparado para inventar avarias, propor serviços que não existem ou marcar visitas domiciliárias com intenções pouco claras.
Em muitos casos, o cartão nem precisa de ser usado. Basta ficar dias seguidos na porta para denunciar uma ausência prolongada, informação preciosa para quem anda a planear assaltos.
Riscos além do óbvio
O perigo não está apenas no engano direto. Há situações em que os falsos técnicos conseguem mesmo entrar em casa, aproveitando-se da confiança das vítimas. Outras vezes recolhem dados pessoais como número de contribuinte ou IBAN, alegando tratar-se de informações necessárias para emitir faturas.
Se a permanência do cartão denunciar uma casa vazia, o risco cresce ainda mais. Para os criminosos, é um sinal verde para preparar uma entrada em força.
Idosos são os principais alvos
Os mais velhos estão no centro deste esquema. Habituados a confiar em técnicos de serviços básicos, dificilmente desconfiam de um cartão aparentemente legítimo. A pressão psicológica exercida pelos burlões faz com que muitos acabem por pagar para evitar problemas.
Mas a rotina diária também pode distrair famílias mais jovens: ao regressar a casa depois de um dia de trabalho, o cartão é guardado sem levantar suspeitas.
Como identificar os cartões suspeitos
Nem sempre é fácil, mas há pistas que devem soar a alerta. Logótipos mal impressos, falta de morada física da empresa, contactos limitados a números de telemóvel ou mensagens demasiado vagas como “serviços 24 horas”. As empresas que prestam serviços essenciais, lembra a GNR, não comunicam desta forma.
O que recomendam as autoridades
A PSP aconselha a não ligar para contactos que não estejam confirmados. Deve-se procurar online a existência da empresa, guardar o cartão como prova e, em caso de suspeita, alertar de imediato as autoridades. A vigilância entre vizinhos também pode travar estes esquemas.
Segundo o Leak, nunca se deve abrir a porta a técnicos que apareçam sem marcação prévia. A recomendação é simples: ligar sempre para a linha oficial da empresa de eletricidade, gás ou água antes de aceitar qualquer intervenção.
A mesma fonte relembra ainda a importância de passar a mensagem aos familiares mais velhos, que continuam a ser os alvos mais vulneráveis. Afinal, um cartão aparentemente inocente pode esconder uma ameaça.
Leia também: Falta-lhe isto no carro? Prepare-se para coimas de 2.500€, pontos perdidos e carro apreendido
















