Um simples gesto diário, como aplicar desodorizante antes de sair de casa, pode acabar por levar a repetir uma mamografia. O alerta foi deixado pelo médico espanhol José Manuel Felices no jornal digital Noticias Trabajo, conhecido nas redes sociais como @doctorfelices, que explicou de que forma o alumínio presente em muitos desodorizantes pode interferir nos exames e simular sinais de cancro da mama.
Segundo o especialista, algumas marcas de desodorizantes contêm alumínio que permanece na pele. Na mamografia, essas partículas podem surgir como pequenos pontos brancos semelhantes às chamadas microcalcificações, consideradas um dos principais sinais de alerta de cancro da mama.
“Usar desodorizante pode simular um cancro”, advertiu Felices num dos seus vídeos. O médico sublinha que, embora o efeito seja passageiro, pode gerar confusão e obrigar à repetição da prova, provocando um “susto desnecessário”.
Por este motivo, recomenda-se que, no dia da mamografia, não se aplique desodorizante nem cremes. Se acontecer por esquecimento, o próprio pessoal técnico tem forma de resolver a situação. “Basta dizer aos técnicos de imagem, que terão uma toalhita para limpar a zona antes do exame”, explicou o médico, citado pela mesma fonte.
O mito do desodorizante e o cancro
Felices aproveitou a oportunidade para esclarecer outra dúvida recorrente: afinal, os desodorizantes podem causar cancro da mama? A resposta é clara. Apesar de teorias antigas que associavam este produto ao desenvolvimento da doença, a evidência científica não confirma essa ligação.
“Já se fizeram muitos estudos com diferentes metodologias e nenhum encontrou relação entre o uso de desodorizante e o cancro da mama”, destacou. O médico acrescenta que até foi medida a quantidade de alumínio absorvida pela pele através destes produtos: cerca de 0,012%, um valor considerado irrelevante para efeitos oncológicos.
Efeitos reais do desodorizante
Apesar de afastar o risco de cancro, o especialista admite que o uso de desodorizantes pode causar alguns problemas cutâneos em pessoas mais sensíveis. Reações como irritação ou vermelhidão podem ocorrer, sobretudo devido a componentes como o álcool ou fragrâncias.
Ainda assim, Felices insiste que é essencial distinguir entre incómodos dermatológicos e doenças graves como o cancro. “A mensagem é de tranquilidade: não há motivo para alarme”, reforçou, citado pelo Noticias Trabajo.
Informação médica e redes sociais
O médico lembra que, perante dúvidas, o mais indicado é recorrer ao especialista e não a vídeos virais que circulam nas redes sociais. “É importante confiar no rigor científico e não deixar que informações sem base criem medo desnecessário”, concluiu.
















