O chocolate é há muito tempo associado a prazeres culpados e a pequenas indulgências diárias. Durante décadas, tem circulado a ideia de que o seu consumo está ligado ao ganho de peso, ao acne ou à perda de sono. No entanto, nem todos os chocolates são iguais, e o tipo de cacau utilizado faz toda a diferença na forma como o organismo reage, influenciando os benefícios do chocolate para a saúde.
De acordo com Aurelio Rojas, cardiologista do Hospital Regional Universitário de Málaga, “99% das pessoas pensa que cuidar-se é dizer não ao chocolate. 1% que se informa sabe que dizer sim ao cacau 100% é jogar em modo avançado”.
Segundo o especialista, o chocolate negro com elevado teor de cacau apresenta propriedades que podem trazer benefícios significativos para o organismo e para o cérebro, incluindo efeitos positivos na memória e no humor. A opinião de Rojas foi partilhada num vídeo publicado pelo site de noticias espanhol, Noticias Trabajo.
Benefícios do chocolate negro
Rojas explica que apenas o chocolate negro com pelo menos 70% de cacau deve ser considerado um alimento funcional. “Os flavonoides promovem a elasticidade dos vasos sanguíneos e combatem o stress oxidativo”, sublinha o cardiologista.
Segundo a mesma fonte, os efeitos positivos incluem “reduzir o apetite, diminuir os níveis de açúcar no sangue, aumentar a sensibilidade à insulina, reduzir a inflamação e a tensão arterial, além de melhorar o estado de espírito e o humor”.
O chocolate negro pode ainda “reduzir os níveis de colesterol LDL, aumentar o fluxo de sangue nas artérias, ajudar no síndrome pré-menstrual, aumentar a sensação de felicidade devido à molécula anandamida e melhorar a memória”, acrescenta Rojas, referindo também os benefícios para a microbiota intestinal.
Desmistificando alguns mitos
O especialista esclarece também alguns dos mitos mais comuns. “O chocolate negro, mesmo com elevado teor de gordura, não engorda, não provoca acne e não interfere no sono”, garante Rojas. Estes efeitos resultam da composição natural do cacau, rico em flavonoides e outros compostos bioativos.
O cardiologista alerta que o chocolate de leite e o chocolate branco “não se podem considerar chocolates, são derivados que contêm açúcar e aditivos que reduzem o seu potencial benéfico”.
Segundo a mesma fonte, “a melhor recomendação é o 100% cacau porque não tem açúcar nem aditivos e contém a maior quantidade de moléculas bioativas”.
Quantidade recomendada e perfil nutricional
A dose diária recomendada pelo especialista é de 15 gramas, o equivalente a uma onça de chocolate ou a uma colher de cacau em pó. “Esta quantidade permite aproveitar os efeitos positivos do cacau sem adicionar excesso de calorias ou gordura à dieta”, explica Rojas.
De acordo com o Noticias Trabajo, em termos nutricionais, o chocolate negro apresenta cerca de 30% de matéria gordurosa, 6% de proteína e 61% de hidratos de carbono, fornecendo ainda minerais essenciais como fósforo, magnésio, potássio, cobre, cálcio e ferro, que representam cerca de 3% da sua composição.
Segundo Aurelio Rojas, “ao escolher um chocolate negro de qualidade superior, idealmente 100% cacau, é possível integrá-lo na dieta diária de forma saudável, usufruindo dos seus efeitos antioxidantes e cardioprotetores sem comprometer a saúde”.
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