Portugal é um país de peixe. Está nas mesas, nas memórias e até na forma como muitos portugueses organizam as refeições da semana. Faz parte da cultura e é uma das principais fontes de proteína da dieta mediterrânica. Mas nem tudo o que vem do mar é tão saudável quanto parece. Há espécies que, apesar de populares, escondem um risco menos visível: o excesso de mercúrio, um metal pesado que se acumula em alguns peixes e pode causar problemas quando consumido em excesso.
De acordo com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), algumas espécies devem ser consumidas com moderação, e outras mesmo evitadas, sobretudo por grávidas, mulheres a amamentar e crianças pequenas. O metal pesado, que se acumula nos tecidos dos peixes predadores, pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso e causar problemas cognitivos nos mais novos.
Devem ser escolhidos com cuidado
Entre as espécies que merecem maior cautela estão o atum fresco, o cação, o espadarte, a maruca, a pata-roxa, o peixe-espada e a tintureira.
Estes sete peixes, muito apreciados em Portugal, são também os que apresentam teores mais altos de mercúrio. Não precisam de sair totalmente da dieta, mas devem ser consumidos apenas de forma ocasional.
As opções seguras
Há, felizmente, muitas alternativas com níveis de mercúrio bastante inferiores. Espécies como a sardinha, a cavala, a abrótea, o bacalhau, o carapau, o choco, a corvina, a dourada, a faneca, a lula, a pescada, o polvo, a raia, o robalo, o sargo, o salmonete e a truta podem ser incluídas na alimentação com segurança. Além de seguras, são ricas em ómega-3 e contribuem para a saúde cardiovascular.
A DGAV recomenda que a população em geral consuma peixe até sete vezes por semana, variando as espécies e privilegiando as de menor risco.
No caso das grávidas e das crianças pequenas, a frequência deve ser mais moderada, entre três e quatro vezes por semana, e sem incluir as espécies de maior concentração de mercúrio.
Um trabalho conjunto
Estas recomendações nasceram de um trabalho conjunto entre várias entidades públicas e universidades portuguesas.
A DGAV coordenou o estudo, que contou com a colaboração da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e de instituições ligadas à saúde e à nutrição da Universidade do Porto.
O grupo analisou amostras recolhidas em várias zonas do país e cruzou os resultados com dados de consumo alimentar. O objetivo foi perceber quanto mercúrio chega, em média, ao prato dos portugueses e definir limites seguros para todos os grupos da população.
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