Estar em casa enquanto lá fora troveja pode dar vontade de tomar um duche quente e relaxante. Mas a ciência e as autoridades de saúde pública alertam que, sempre que se ouvem trovões nas proximidades, deve evitar o contacto com a água e com a canalização, mesmo dentro de casa. Se um raio atingir o edifício, a corrente elétrica pode percorrer os canos e chegar a quem está no chuveiro, na banheira ou junto a uma torneira.
Porque o banho não é inofensivo durante a trovoada
De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, não é seguro tomar banho durante uma tempestade elétrica. Se um raio atingir a estrutura do edifício ou instalações próximas, a energia pode percorrer a rede de canalização e chegar aos pontos de consumo, como chuveiros e torneiras. Quem estiver em contacto com a água ou com elementos metálicos da canalização fica, assim, mais exposto a um choque elétrico de elevada intensidade.
Como os raios entram em casa através da canalização
Quando um raio incide sobre uma casa ou prédio vizinho, a corrente procura sempre o caminho mais fácil para chegar ao solo. As armaduras metálicas, a instalação elétrica e os canos fazem parte dessas vias preferenciais. A água que circula nas tubagens funciona como condutor adicional, criando uma espécie de extensão da descarga até ao interior da habitação.
Mesmo em edifícios mais recentes, onde parte da rede de distribuição é em materiais plásticos, o alerta mantém-se. As autoridades recomendam afastar-se da canalização enquanto houver trovões audíveis, o que inclui evitar duche, banhos de imersão, lavagem de mãos e de loiça ligados diretamente à rede.
Água, sais minerais e eletricidade: uma combinação arriscada
Em teoria, a água pura é um mau condutor de eletricidade. Na prática, a água que chega às torneiras contém sais minerais e outras substâncias dissolvidas que facilitam a passagem da corrente. É o caso da água da rede pública e também da água mineral engarrafada, ambas ricas em iões que melhoram a condutividade elétrica.
Trabalhos científicos divulgados por investigadores europeus, citados pela agência noticiosa EFE, mostram ainda que, quando a água é confinada em espaços muito pequenos, se pode tornar muito mais condutora do que em condições normais e armazenar quantidades significativas de energia elétrica. Este comportamento ajuda a perceber por que motivo, em determinados contextos, a água pode transportar descargas com grande eficiência.
Duche, loiça e lavatório: atividades a evitar
O aviso dos especialistas não se limita ao duche. Qualquer atividade que implique contacto direto com água ligada à rede durante a trovoada é desaconselhada. Lavar a loiça, encher um balde, tomar um banho de imersão ou simplesmente manter as mãos debaixo da torneira são exemplos de práticas a evitar durante a fase mais intensa da tempestade.
Além do percurso pela canalização, a corrente pode também aproveitar estruturas metálicas associadas aos equipamentos sanitários. Misturadores, torneiras e suportes podem tornar-se pontos de passagem da descarga, sobretudo se estiverem ligados a elementos condutores no interior das paredes.
Que consequências pode ter um choque deste tipo
Relatos clínicos de vítimas de raios descrevem casos de paragem cardíaca súbita, arritmias, queimaduras e, entre os sobreviventes, sequelas neurológicas, perda de força muscular e problemas de memória, temporários ou duradouros. Quando o choque acontece na água, a incapacidade momentânea somada ao meio líquido aumenta ainda mais o risco, mesmo em banheiras ou bases de duche no interior de casa.
Quando é mais seguro voltar ao duche
As entidades que emitem recomendações de segurança em trovoadas sugerem que se aguarde algum tempo depois do último trovão audível antes de retomar o uso normal da água. A regra prática passa por esperar cerca de meia hora após o último estrondo, período em que a nuvem de tempestade já se terá afastado o suficiente da zona em causa.
Embora a probabilidade de um episódio destes seja reduzida, as consequências podem ser graves. Manter-se afastado da água e da canalização enquanto a trovoada se faz ouvir é, por isso, uma forma simples de reduzir o risco. O duche relaxante pode ficar para depois, quando os trovões já tiverem passado e a tempestade estiver longe.
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