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Esta mesma data já era assinalada mundialmente, mas existir este reconhecimento nacional diz muito do que se tem feito nesta área tão essencial, e do muito que se pretende ainda fazer.
Acaba por ser um reconhecimento de que os direitos sexuais e reprodutivos são parte integrante dos direitos humanos e como tal há que debater todas as questões inerentes aos mesmos, sem que haja discriminação ou preconceito.
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Mestre em sexologia (Universidade Lusófona Lisboa)
Terapeuta Sexual (Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica). Enfermeira Coordenadora | Santa Casa da Misericórdia de Faro
A diversidade da sexualidade é hoje em dia cada vez mais visível, e cada vez mais aceite por todos. Ainda há muito a fazer, muitas questões para desmistificar e principalmente muita informação a ser transmitida, pois na minha opinião, é a desinformação que gera conflito. É por as pessoas não entenderem a diferença, que revoltam-se com ela.
Uma forma de garantir a proteção dos direitos sexuais de todos os indivíduos passa por promover a discussão aberta dos vários temas da sexualidade. E essa abertura para os discutir tem que partir principalmente de todos os profissionais de saúde. São eles que serão a referência para pedir ajuda numa área que acaba por ser difícil de confidenciar, e se um profissional de saúde não dá abertura para tal, esse indivíduo poderá fechar-se e guardar esse sofrimento para sempre.
Há ainda muito a fazer no nosso país.
As lacunas existentes em relação à Educação Sexual em meio escolar é uma das áreas a incidir. É nas escolas que se consegue, de base, incutir conceitos verdadeiros. Discutir questões pertinentes, não deixando que mitos e falsas ideias proliferem entre as crianças e jovens, que serão os adultos de amanhã.
É igualmente importante que a sexualidade humana faça parte dos conteúdos programáticos dos cursos de saúde. Há que preparar os profissionais para que saibam escutar e que saibam principalmente orientar o indivíduo para quem o poderá ajudar a viver uma sexualidade plena.
E os enfermeiros são os profissionais que poderão ter um papel tão importante! Esta capacidade que temos de escuta ativa e de identificar que algo está menos bem, esta proximidade que temos com os nossos utentes, esta relação terapêutica que estabelecemos, deverá ser também aplicada à dimensão da sexualidade.
Estes são dois exemplos, mas muitos outros existem.
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Reconheçamos de uma vez por todas que, tal como o nosso ADN, como o nosso fenótipo, a sexualidade é também uma característica de cada um, e devemos vivê-la da forma que pretendemos, em consciência, totalmente cientes da complexidade que representa, já dizia a cantora Rita Lee na sua canção:
Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal
E tal e coisa…
– Artigo publicado no site da Ordem do Enfermeiros – Secção Regional do Sul, com a seguinte nota: “SRSul saúda os Enfermeiros que na linha da frente promovem o reconhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos”.