O tempo em Portugal entra nos últimos dias de 2025 sob domínio anticiclónico, mas as previsões mais recentes apontam para uma possível mudança logo no início do novo ano: depois de vários dias marcados por frio seco, nevoeiros e geadas, uma depressão de evolução complexa poderá alterar o padrão atmosférico e trazer chuva e vento forte a várias regiões do país.
De acordo com a análise mais recente do Luso Meteo, a passagem de ano deverá ser seca em grande parte do território continental, mas o cenário começa a mudar rapidamente a partir de 1 de janeiro, com sinais de instabilidade associados a um sistema depressionário de difícil previsão.
Frio seco domina a passagem de ano no Continente
Até 31 de dezembro, o tempo em Portugal Continental mantém-se estável. Segundo a mesma fonte, o anticiclone continuará a provocar inversões térmicas acentuadas, com noites muito frias, formação de geada e nevoeiros persistentes em várias regiões do interior.
Em zonas como Trás os Montes, Beira Interior e vales abrigados do Centro e Norte, poderão formar-se nevoeiros gelados, fenómeno conhecido como sincelo. Durante o dia, apesar do frio matinal, o sol deverá contribuir para temperaturas mais agradáveis, uma vez que o vento se mantém fraco.
Na noite de passagem de ano, a probabilidade de precipitação no Continente é muito reduzida, inferior a 5 por cento, o que aponta para um cenário seco e frio para quem vai celebrar ao ar livre.
Madeira com elevada probabilidade de chuva na passagem de ano
O cenário é bem diferente no arquipélago da Madeira. De acordo com a mesma fonte, a aproximação de uma frente associada a uma depressão atlântica deverá afetar a região logo no final de 2025.
A probabilidade de precipitação na noite de 31 de dezembro é elevada, próxima de 100 por cento, com chuva por vezes persistente e vento moderado a forte. Esta situação poderá condicionar eventos e celebrações ao ar livre, tanto na Madeira como em Porto Santo.
Açores entre períodos de instabilidade e tréguas temporárias
Nos Açores, o cenário é mais incerto. Segundo o Luso Meteo, a passagem de ano poderá ser marcada por períodos de chuva fraca ou moderada, mas com possibilidade de melhorias temporárias, sobretudo no dia 31.
Ainda assim, a influência de sistemas de baixas pressões próximas do arquipélago poderá provocar vento, agitação marítima e aguaceiros dispersos, especialmente nas ilhas dos grupos Central e Oriental.
Depressão complexa pode mudar o tempo após o Ano Novo
A grande questão meteorológica surge após 1 de janeiro. Os modelos mais recentes passaram a indicar a aproximação de uma depressão de grande dimensão e estrutura complexa, que poderá enfraquecer ou mesmo quebrar o bloqueio anticiclónico que tem dominado a Península Ibérica.
De acordo com a mesma fonte, esta mudança não era claramente visível há poucos dias, o que demonstra a elevada incerteza associada a este tipo de sistemas. Ainda assim, o cenário mais provável aponta para a chegada de precipitação generalizada a partir de quinta ou sexta-feira, acompanhada por vento por vezes forte.
Durante esse período, as temperaturas deverão subir ligeiramente, afastando o risco de neve generalizada. Caso ocorra precipitação sólida, esta ficará limitada às cotas mais elevadas da Serra da Estrela.
Semana termina com tempo mais instável
Entre sexta-feira e o fim de semana de 3 e 4 de janeiro, a probabilidade de chuva no Continente ultrapassa atualmente os 80 por cento, de acordo com a publicação meteorológica. O vento poderá intensificar-se, sobretudo no litoral e nas terras altas.
Apesar disso, alguns modelos, como o ICON, ainda apresentam reservas quanto à persistência desta mudança, mantendo alguma incerteza sobre a duração e intensidade da instabilidade.
Madeira e Açores sob influência direta das baixas pressões
No arquipélago da Madeira, a instabilidade poderá prolongar-se até 1 de janeiro, com aguaceiros e vento, antes de um regresso gradual à estabilidade na sexta-feira. Já nos Açores, depois de um episódio mais chuvoso a meio da semana, o tempo tende a melhorar, embora o vento de noroeste mantenha o ambiente fresco e o mar agitado.
Em síntese, o arranque de 2026 poderá marcar uma viragem no padrão atmosférico, mas a evolução da depressão continua a exigir acompanhamento próximo. Como sublinha o Luso Meteo, trata-se de uma situação dinâmica, em que pequenas alterações na trajetória dos sistemas podem produzir cenários muito distintos nos próximos dias.















