Portugal prepara-se para uma nova sequência de depressões atmosféricas e a próxima poderá ser mais intensa do que as anteriores. Os modelos meteorológicos indicam que o país será afetado por uma tempestade que se irá traduzir em várias frentes de instabilidade nos próximos dias, com chuva forte, vento e agitação marítima a partir de terça-feira.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o modelo europeu ECMWF preveem um agravamento das condições meteorológicas a partir de quarta-feira, com a chegada de uma depressão atlântica que poderá evoluir rapidamente para uma tempestade.
Esta nova perturbação atmosférica deverá começar a fazer-se sentir entre as últimas horas de quarta-feira e as primeiras da manhã de quinta-feira, 30 de outubro, afetando sobretudo as regiões do Norte e Centro.
Sequência de frentes traz chuva persistente
Os dias de terça e quarta-feira serão já marcados por períodos de chuva por vezes fortes, provocados por uma primeira depressão atlântica. Essa frente deverá atravessar o território de Norte a Sul, deixando acumulados significativos, em especial nas zonas do litoral e regiões montanhosas.
Logo a seguir, a atmosfera continuará instável, com o ECMWF a prever a formação de uma nova tempestade sobre o Atlântico que se deslocará em direção à Península Ibérica. Esta depressão, embora passageira, poderá ter maior intensidade e provocar rajadas fortes de vento.
As projeções indicam que esta tempestade atravessará Portugal de forma rápida, dissipando-se até ao final do próprio dia, mas com impacto considerável durante várias horas.
Ventos fortes poderão atingir os 100 km/h
De acordo com a atualização mais recente dos modelos, os ventos começarão a intensificar-se a partir da madrugada de quinta-feira, especialmente no noroeste. Durante o período da manhã e início da tarde, rajadas até 100 km/h poderão ser registadas nas zonas mais expostas do litoral Norte e nas serras do Centro.
O vento forte deverá ser o fenómeno mais marcante desta nova fase de instabilidade. A direção predominante será de sudoeste, transportando massas de ar húmido que irão alimentar a chuva e aumentar a agitação marítima.
As autoridades marítimas alertam que, nestas condições, é desaconselhável a navegação de pequenas embarcações e a permanência junto a molhes e zonas costeiras durante a tempestade.
Chuva intensa mas de curta duração
A chuva deverá ser generalizada e intensa, embora de curta duração. Os mapas do ECMWF apontam para acumulações superiores a 100 milímetros em vários pontos do litoral Norte e Centro, sobretudo entre Braga, Porto e Aveiro.
O período mais crítico deverá ocorrer entre o final da manhã e o final da tarde de quinta-feira, coincidindo com a passagem do núcleo mais ativo da tempestade em Portugal. No entanto, as previsões podem ainda variar conforme a trajetória exata do sistema.
Após o pico da instabilidade, espera-se uma melhoria gradual a partir da noite de quinta-feira, com a diminuição da precipitação e o enfraquecimento do vento.
Mar agitado e ondas até 6 metros
A tempestade também deverá provocar forte agitação marítima a Portugal, com ondas que poderão atingir os 6 metros de altura na costa ocidental, em especial na faixa entre Viana do Castelo e Figueira da Foz.
A Autoridade Marítima Nacional deverá emitir avisos à navegação nas próximas horas, recomendando cautela a quem vive ou trabalha junto ao mar.
Nas regiões costeiras, será importante afastar-se das falésias e evitar a observação de ondas durante o período de maior intensidade, uma vez que as condições poderão agravar-se rapidamente.
Situação ainda incerta, mas tendência é de agravamento
Os meteorologistas sublinham que, devido à distância temporal da previsão, a incerteza ainda é elevada. Pequenas variações na posição das depressões ou nos sistemas de alta pressão poderão alterar a intensidade e a distribuição da chuva e do vento.
Contudo, a tendência geral é clara: Portugal continental enfrentará mais uma semana de tempo instável e húmido, com passagem sucessiva de frentes e possibilidade de novos episódios de chuva forte.
O IPMA deverá atualizar os avisos meteorológicos nos próximos dias, podendo emitir alertas amarelos ou laranjas conforme a evolução dos modelos.
Preparar-se para um final de outubro chuvoso
Segundo o Meteored, e com este cenário, as autoridades recomendam medidas preventivas simples, como garantir a limpeza de caleiras, verificar sistemas de drenagem e evitar deslocações desnecessárias nas horas de chuva intensa.
Outubro termina, assim, sob o domínio das depressões atlânticas, num padrão meteorológico típico de outono, mas que este ano parece mais ativo e persistente do que o habitual.
















