Portugal é muitas vezes associado ao clima ameno e soalheiro, mas há exceções surpreendentes, e esta aldeia é uma delas. No coração da Serra do Montemuro existe uma aldeia onde o inverno se faz sentir com particular intensidade, tornando-a a mais fria do país.
Apesar da imagem de sol e calor que o país projeta para fora de portas, a realidade é que nem todas as regiões seguem o mesmo padrão. Em determinados pontos do território, o frio extremo instala-se todos os anos, transformando o quotidiano de quem lá vive.
De acordo com o Idealista, é precisamente esse o caso da Gralheira, uma pequena aldeia beirã que, devido à sua localização e altitude, conquistou a fama de ser o lugar mais gélido de Portugal.
Onde fica a aldeia mais fria
Localizada no concelho de Cinfães, distrito de Viseu, a Gralheira ergue-se a cerca de 1.130 metros de altitude. Esta posição privilegiada no topo da Serra do Montemuro explica a sua diferença em relação ao restante país, tornando-a não só uma das aldeias mais altas, como também a mais fria de todas.
No inverno, o termómetro desce com frequência abaixo de zero. As mínimas registadas rondam os -3 ºC em janeiro, mas a sensação térmica pode chegar facilmente aos -7 ºC. Nalguns anos, os moradores relatam valores ainda mais extremos, próximos dos -15 ºC, de acordo com a mesma fonte.
A neve cobre habitualmente os telhados e caminhos, criando cenários idílicos, mas também dificuldades sérias de acesso. Por vezes, a aldeia fica quase isolada durante dias.
O que visitar na Gralheira
Quem visita esta localidade encontra mais do que frio. Há um património cultural preservado e tradições vivas que fazem da Gralheira um destino singular. O Centro Interpretativo – Casa do Ribeirinho é um espaço que dá a conhecer práticas locais, como a panificação artesanal, o fabrico de fumeiro e o artesanato.
A gastronomia serrana também é um motivo de atração: cabrito e vitela assados em forno de lenha, arroz de salpicão ou até as peculiares pizzas à lavrador são alguns exemplos da cozinha que aquece corpo e alma.
Para os amantes da natureza, o Trilho da Gralheira e da Ponte da Panchorra proporciona uma caminhada circular de 7,5 quilómetros, com vistas impressionantes sobre o Montemuro.
Com cerca de uma centena de habitantes, a Gralheira mantém tradições que atravessam gerações. A produção caseira de enchidos, o pão cozido em forno comunitário e o artesanato em lã e linho são parte do quotidiano.
As casas de xisto com paredes grossas e lareiras funcionam como barreira contra as temperaturas negativas. No entanto, o rigor climático obriga a um planeamento cuidadoso: acumular lenha, preparar alimentos e ter veículos prontos para enfrentar neve e gelo é parte da rotina anual.
Outros pontos frios em Portugal
Quando se fala em frio, é comum pensar de imediato na Guarda, a cidade mais alta do país. Contudo, a Gralheira, por ser mais pequena e mais elevada, regista temperaturas ainda mais baixas.
No verão, quem procura um refúgio fresco encontra-o em zonas de altitude como a Serra da Estrela, em torno da Torre, mas também no Gerês e em Montesinho, onde o calor nunca atinge os valores sufocantes das planícies.
Estas regiões transformam-se em destinos alternativos para escapar ao clima abrasador do interior alentejano ou das cidades do litoral.
O contraste com o resto do mundo
Se comparada com outros locais no planeta, a Gralheira parece quase moderada. Em Oymyakon, na Rússia, considerado o lugar habitado mais frio do mundo, as temperaturas descem até aos -50 ºC. Ali, a rotina passa por manter os carros sempre ligados e até a saliva pode congelar antes de tocar no chão.
Este paralelo mostra como Portugal, mesmo nos seus locais mais frios, continua a ser um país de contrastes suaves em relação às condições extremas de outros pontos do globo.
Frio que atrai curiosidade
O caso da Gralheira é, acima de tudo, um lembrete de que o clima português não é uniforme. Num país associado ao sol, existe uma aldeia onde o inverno dita as regras e molda a vida de todos os dias. Apesar das adversidades, muitos moradores afirmam que a tranquilidade e a beleza natural compensam as dificuldades impostas pelo frio.
Segundo o Idealista, para turistas curiosos ou amantes do frio, visitar a Gralheira é descobrir uma face inesperada de Portugal, onde o silêncio da neve e o rigor das temperaturas convivem com a hospitalidade serrana.
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