O envelhecimento dos profissionais e a dificuldade em atrair jovens estão a deixar várias empresas sem mão de obra suficiente na SuÃça. As funções são exigentes, mas as remunerações previstas para trabalhadores no terreno encontram-se entre as mais elevadas da Europa.
Na SuÃça, o setor da construção enfrenta falta de trabalhadores, desde operários sem formação especÃfica até profissionais qualificados e encarregados de obra. A situação poderá representar uma oportunidade para portugueses, que beneficiam das regras de livre circulação aplicadas aos cidadãos da União Europeia, de acordo com o jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Os salários mÃnimos definidos para 2026 começam perto dos 4.750 francos suÃços por mês e podem ultrapassar os 6.700 francos nas categorias com maior responsabilidade. À taxa de referência atual, os valores correspondem aproximadamente a um intervalo entre 5.070 e 7.160 euros brutos mensais.
Construção está entre os setores com falta de trabalhadores
A rede europeia EURES identifica a construção como uma das áreas com falta de profissionais na SuÃça. Eletricistas, canalizadores, carpinteiros e trabalhadores de obras estão entre os perfis com maior procura em várias regiões do paÃs.
Esta escassez está relacionada com o envelhecimento da mão de obra, a saÃda de profissionais para a reforma e a dificuldade em encontrar substitutos. Muitos jovens suÃços procuram emprego em setores como as novas tecnologias, a engenharia, a administração e a indústria farmacêutica.
Ao mesmo tempo, a construção de habitação e os projetos de renovação das infraestruturas mantêm a necessidade de trabalhadores. As empresas recorrem, por isso, a profissionais estrangeiros provenientes de paÃses como Portugal, Espanha, Itália e Alemanha.
Salários começam acima dos 5.000 euros
A SuÃça não possui um salário mÃnimo nacional único, mas existem valores obrigatórios definidos através de convenções coletivas. Na construção principal, a remuneração depende da categoria profissional e da zona onde o trabalho é realizado.
Segundo a tabela salarial para 2026 da Sociedade SuÃça de Empresários Construtores, um trabalhador sem conhecimentos profissionais especÃficos deve receber entre 4.747 e 4.885 francos suÃços brutos por mês. A conversão corresponde a cerca de 5.070 a 5.220 euros, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Um trabalhador com conhecimentos profissionais recebe entre 5.184 e 5.458 francos, enquanto os profissionais qualificados podem alcançar 5.988 francos. Para os encarregados, os salários mÃnimos variam entre 6.179 e 6.702 francos, o equivalente a aproximadamente 6.600 a 7.160 euros.
Os valores em euros foram calculados com base na taxa de referência do Banco Central Europeu de 28 de agosto e podem mudar consoante a cotação do franco suÃço.
Remuneração é paga 13 vezes por ano
A Sociedade SuÃça de Empresários Construtores indica que os trabalhadores abrangidos pela convenção recebem 13 pagamentos anuais. Podem ainda existir suplementos e compensações para refeições, dependendo das condições acordadas.
Em 2026, a remuneração média dos trabalhadores abrangidos pela convenção coletiva situa-se nos 6.282 francos por mês, cerca de 6.700 euros à taxa de câmbio atual. O rendimento médio anual aproxima-se dos 82 mil francos suÃços, segundo a informação publicada pela associação empresarial.
Estes montantes são brutos. Ao salário terão de ser descontados impostos e contribuições, cujos valores variam de acordo com o cantão, o rendimento e a situação pessoal do trabalhador, refere a fonte anteriormente citada.
Mais de 258 mil portugueses vivem na SuÃça
A SuÃça possui uma das maiores comunidades portuguesas no estrangeiro. De acordo com os dados do Office Fédéral de la Statistique, reunidos pelo Observatório da Emigração, residiam no paÃs 258.139 pessoas com nacionalidade portuguesa em 2025.
Dentro deste total, cerca de 202.800 residentes tinham nascido em Portugal. Os portugueses representavam 8,6% da população estrangeira e 2,8% do conjunto de habitantes da SuÃça.
Só em 2025 entraram no paÃs 11.420 portugueses. O número representa uma descida de 7,8% face à s 12.388 entradas registadas no ano anterior, mas confirma a SuÃça como um dos principais destinos da emigração portuguesa.
Portugueses beneficiam da livre circulação
Embora não pertença à União Europeia, a SuÃça mantém um Acordo sobre a Livre Circulação de Pessoas com os Estados-membros. Isto permite aos portugueses acederem ao mercado de trabalho suÃço em condições mais simples do que os cidadãos provenientes de paÃses terceiros.
Segundo a Secretaria de Estado das Migrações da SuÃça, é necessário possuir um contrato de trabalho válido. Para permanecer no paÃs, o trabalhador deve registar-se no municÃpio onde vai residir no prazo de 14 dias após a chegada e antes de começar a trabalhar.
Os contratos entre três e 12 meses dão acesso à autorização L. Já a autorização B destina-se, em regra, a contratos com uma duração mÃnima de 12 meses ou sem termo e é válida durante cinco anos. Nos empregos até três meses não é exigida uma autorização de residência, mas o empregador tem de comunicar previamente a contratação à s autoridades suÃças, de acordo com o Noticias Trabajo.
Idioma e custo de vida devem ser considerados
A lÃngua necessária depende do cantão. O alemão predomina em grande parte do paÃs, o francês é utilizado em regiões como Genebra, Vaud e Neuchâtel e o italiano tem maior presença no Ticino. Na construção, compreender instruções e regras de segurança é particularmente importante.
Nem todas as vagas exigem formação superior, mas a experiência profissional, as qualificações técnicas e o domÃnio da lÃngua local influenciam o salário e a categoria atribuÃda. Algumas profissões especializadas também podem exigir o reconhecimento das qualificações.
Os salários elevados devem ser comparados com o custo de vida. A EURES destaca a habitação, o seguro de saúde, os impostos e as contribuições sociais entre as principais despesas das famÃlias suÃças.
As ofertas podem ser consultadas através da EURES, dos serviços cantonais de emprego e das empresas de recrutamento autorizadas. Antes da mudança, importa confirmar por escrito o salário bruto, o horário, a duração do contrato, o alojamento e os descontos aplicados à remuneração.
















