Portugal surge no primeiro lugar da lista de países europeus onde a sensação de discriminação é mais elevada. Os dados fazem parte de um inquérito conduzido pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), organismo especializado na monitorização dos direitos humanos, e revelam que quase dois terços das pessoas de etnia cigana inquiridas em território nacional afirmaram ter sofrido algum episódio de discriminação nos 12 meses anteriores à consulta.
Resultados acima da média europeia
O estudo incidiu sobre dez Estados-membros da União Europeia e três países em processo de adesão. De acordo com a FRA, Portugal registou 63% de respostas afirmativas, valor que coloca o país acima de Itália e da Irlanda. Neste último caso, os números relativos às comunidades nómadas apresentam percentagens ainda mais elevadas.
Enquanto em países como a Grécia e a Sérvia os níveis de discriminação diminuíram em comparação com 2021, em Portugal verificou-se a tendência contrária.
Os dados representam um agravamento face ao inquérito anterior e um salto significativo em relação a 2016.
Comunidades mais pequenas reportam menos casos
O relatório chama a atenção para diferenças de perceção consoante o contexto social em que cada cidadão vive.
Em Portugal, bem como na Albânia, Bulgária, Chéquia e Sérvia, aqueles que residem em áreas com menor concentração da sua comunidade relatam menos episódios de discriminação do que os que vivem em bairros onde a maioria dos habitantes partilha a mesma origem.
Apesar destas variações, a agência assinala que a tendência se mantém estável no conjunto dos países analisados: em média, cerca de um terço dos inquiridos declarou sentir-se discriminado devido à sua origem étnica.
Assédio e exclusão no mercado de trabalho
Os números relacionados com o assédio revelam também valores elevados. Em Portugal, 48% dos participantes disseram ter sido alvo de pelo menos um episódio desse tipo, percentagem próxima da registada em Itália e na Irlanda.
A situação mais crítica surge no mercado laboral. Sete em cada dez pessoas inquiridas em território português relataram discriminação na procura de emprego. Apenas a Irlanda apresentou valores superiores, com mais de oito em cada dez participantes a identificar dificuldades semelhantes.
Segundo a FRA, estes resultados confirmam que a tendência negativa observada em 2021 não pode ser explicada apenas pela pandemia. Pelo contrário, revelam um padrão persistente de exclusão que continua a marcar a vida de milhares de cidadãos na Europa.
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