No litoral a sul de Lisboa, há uma vila piscatória que tem vindo a ganhar destaque além-fronteiras. O que a distingue não são apenas as ruas estreitas ou o casario branco, mas também uma tradição ligada ao mar que continua a marcar o quotidiano local. Este destino mantém vivas práticas antigas e surpreende quem chega pela primeira vez, tanto pelo património como pela mesa.
De acordo com o canal de televisão espanhol laSexta, trata-se de Sesimbra, na região de Setúbal, que muitos visitantes de Espanha descrevem como um ‘tesouro’ ainda pouco conhecido. A origem da vila remonta a tempos celtas, romanos e muçulmanos, sendo o Castelo de Sesimbra, erguido no século IX, um dos marcos que recorda esse passado. Do alto da fortaleza, a vista estende-se sobre a baía e sobre o Atlântico, confirmando a ligação permanente da localidade ao mar.
Património e tradição marítima
Segundo a mesma fonte, as ruas de calçada e as casas com telhados vermelhos preservam a identidade da região, enquanto o porto continua a ser um dos centros da atividade económica. Com orientação a sul, é um dos poucos em Portugal com esta característica, o que o torna um espaço estratégico para a pesca. O Cabo Espichel, com o seu farol e o santuário dedicado a Nossa Senhora, surge como outro ponto de visita obrigatória, especialmente ao final do dia.
Escreve ainda o laSexta que as praias urbanas, como a do Ouro e a da Califórnia, oferecem um contacto direto com o mar, mas é no convívio com a comunidade piscatória que se percebe o peso da tradição. A vida local mantém-se ancorada no setor e isso reflete-se na forma como os habitantes descrevem a sua terra.
Gastronomia e marca identitária
A gastronomia é um dos pontos centrais da experiência em Sesimbra. O peixe fresco e o marisco ocupam lugar de destaque nas mesas, seguindo receitas transmitidas de geração em geração. Foi neste contexto que surgiu a marca “O melhor peixe do mundo”, criada pela empresa Fixe em Casa, fundada em 2005 por Miguel Zegre e Manuel Cardoso.
Refere o site da marca que os dois fundadores, naturais da vila, começaram por distribuir peixe entre amigos a preços mais acessíveis, sobretudo exemplares de maior porte como o espadarte. O sucesso levou à criação de uma estrutura profissional que assenta num modelo de clube de compradores, permitindo encomendar e receber pescado fresco diretamente em casa.
Segundo o blog de viagens Vaga Mundos, Sesimbra é também um espaço de descoberta fora da época balnear. O castelo, os trilhos da Arrábida, a marginal e o Cabo Espichel oferecem percursos e miradouros que completam a experiência junto ao mar. O Museu Marítimo, instalado na Fortaleza de Santiago, recupera memórias ligadas à pesca e sublinha a centralidade dessa atividade na história local.
Percorrer o núcleo urbano antigo é encontrar a “alma da vila”, entre ruas com nomes de virtudes, como Fé, Esperança e Caridade. Nas palavras do mesmo blog, o Mercado Municipal, por sua vez, continua a ser palco do quotidiano, com a azáfama do peixe acabado de chegar à lota e que os moradores ainda consideram insuperável.
Destino entre património e mar
O apelo de Sesimbra está no equilíbrio entre paisagem, cultura e gastronomia. O jardim público, as igrejas e os espaços históricos convivem com a forte presença da comunidade piscatória. Os visitantes encontram ali um destino que, sem se afastar das suas raízes, abre caminho a novas formas de acolher quem chega.
No conjunto, Sesimbra apresenta-se como uma vila onde património, mar e gastronomia se cruzam em permanência. A cada esquina, seja no casario ou no porto, confirma-se a ligação à pesca que marcou o desenvolvimento local e continua a atrair visitantes, muitos deles espanhóis em busca do peixe que deu origem a uma marca identitária.
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