No norte do país, entre serras íngremes e caminhos de pedra, existe uma aldeia desabitada onde não circulam automóveis, não há eletricidade, água canalizada ou saneamento. Quem a visita encontra apenas ruínas de casas, cursos de água e um silêncio pouco habitual.
De acordo com o portal NiT, trata-se de Drave, uma aldeia localizada entre a Serra da Freita, a Serra de São Macário e a Serra da Arada, em pleno Arouca Geopark. Desde 2009 que ninguém ali reside de forma permanente. O local é preservado pelos escuteiros, que organizam visitas regulares e mantêm parte das construções em pé.
Entre a história e a lenda
O nascimento da aldeia permanece incerto. Segundo a mesma fonte, há registos arqueológicos, como cistas e castros que indiciam uma ocupação remota, bem como referências históricas em documentos dos séculos XIII e XIV, durante o reinado de D. Dinis.
Ainda assim, não faltam versões lendárias. Escreve a NiT que alguns acreditam que a aldeia foi refúgio de criminosos pela sua localização isolada. Outras narrativas falam de um homem rejeitado pela sua comunidade que ali terá construído a primeira habitação e, após conquistar uma companheira num combate de Jogo do Pau Português, terá formado o primeiro casal residente.
Famílias, cerimónias e abandono
Ao longo dos séculos, várias famílias habitaram em Drave. Explica o mesmo site que a família Martins foi uma das mais relevantes, com presença contínua desde 1700 até ao ano 2000. A desocupação total aconteceu apenas em 2009, quando saiu o último morador.
Apesar do abandono, a aldeia conserva uma igreja recuperada, palco de uma cerimónia que terá reunido mais de 600 pessoas. Conforme a mesma fonte, resistem ainda casas de pedra, algumas reduzidas a ruínas, e um espigueiro de madeira construído pelos escuteiros. Os visitantes encontram também pequenos lagos e ribeiras que atravessam o vale.
Como chegar ao coração da serra
O acesso faz-se a partir de Regoufe, a povoação mais próxima com estrada. Acrescenta a publicação que o percurso demora cerca de três horas a pé, com desníveis acentuados e trilho de dificuldade moderada.
No verão, a caminhada é recompensada pelos cursos de água e cascatas que servem de refúgio a quem procura tranquilidade. Entre serras e rochas, a aldeia mantém-se desabitada, mas continua a atrair visitantes pelo seu ambiente natural e pelo silêncio raro que a envolve. A NiT cita a publicação feita no Instagram pela página @eating_miles, onde se pode ler que a aldeia é atualmente gerida por escuteiros e que para lá dormir é necessário pedir-lhes autorização, sendo que é necessário levar tenda.
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