A perda da estrela Michelin alterou de forma drástica o rumo profissional de Ljubomir Stanisic. O chef, que durante anos usufruiu de forte exposição mediática e de um restaurante com elevado reconhecimento, viu 2025 começar com mudanças profundas. De acordo com a revista Flash, a saída do 100 Maneiras deste restrito universo gastronómico desencadeou uma descida abrupta das receitas mensais e obrigou a cortes internos.
O próprio chef admitiu que a perda da distinção levou a uma redução de cerca de 40% na faturação e que não tem conseguido atingir o ponto de equilíbrio financeiro no final de cada mês. O desafio obriga-o agora a ajustar conceitos e a procurar novas formas de atrair clientes, num esforço que descreve como tentativa de sobrevivência.
Rescaldo de uma estrela perdida
A queda da classificação coincidiu com um ambiente interno frágil. Alguns funcionários abandonaram o restaurante após a perda da estrela, situação que Ljubomir interpreta como falta de lealdade, apesar de garantir que manteve o mesmo nível de trabalho. “Perdi alguns empregados que fogem quando se perde uma estrela, que não são leais”, referiu o chef numa entrevista ao jornal Observador. Acrescenta a publicação que o chef rejeita a ideia de que a qualidade do 100 Maneiras tenha diminuído, atribuindo a decisão da Michelin ao impacto de declarações públicas feitas anteriormente.
Ainda antes da atribuição anual, vários colegas o alertaram para a possibilidade de perder a distinção. Apesar disso, Ljubomir manifestou a intenção de recuperar o selo Michelin, mas insiste que o fará apenas por mérito próprio e sem recorrer ao que considera estratégias de influência.
Tribunal, televisão e contas por fechar
A situação financeira tornou-se ainda mais complexa com o fim do contrato televisivo que mantinha com a SIC. Esse vínculo representava um rendimento mensal de 15.000 euros, quantia que agora desapareceu do orçamento do chef. O mesmo canal reclama mais de 1.200.000 euros num litígio relacionado com a transferência de Ljubomir para a concorrência, um processo cujo desfecho ainda não é público.
Conforme a mesma fonte, o impacto acumulado destas quebras remete-o para memórias antigas. O percurso do chef inclui momentos desafiantes, como a falência do primeiro 100 Maneiras, em Cascais, há mais de uma década. Nessa altura, uma parceria com José Avillez terminou ao fim de oito meses, com divergências profissionais a ditarem a separação.
Recordações de um início turbulento
O passado inclui também dívidas avultadas. Em declarações recordadas pela publicação, o chef contou que ficou responsável pelo espaço e por uma dívida significativa, numa fase em que perdeu grande parte do círculo de amizades. Apesar disso, investiu novamente no negócio e introduziu melhorias que acabariam por conduzir à conquista posterior da estrela Michelin, agora perdida.
Segundo a Flash, a meta do chef passa por voltar a esse patamar. Com novos projetos e ideias para o 100 Maneiras, Ljubomir procura recuperar estabilidade e distinção. O percurso recente revela cortes, adaptações e uma pressão financeira contínua, mas também a convicção de que o caminho de regresso pode ser traçado com trabalho constante.
















