Viajar de avião já foi sinónimo de conforto, mas as companhias low-cost estão a transformar a experiência a bordo numa verdadeira lição de adaptação. Entre tarifas escondidas, lugares apertados e novas taxas, o que antes era incluído começa agora a custar cada vez mais, e este serviço, que esta companhia aérea vai começar a cobrar, é um desses exemplos.
A companhia canadiana WestJet anunciou que os passageiros deixarão de poder reclinar os assentos gratuitamente. A partir de agora, quem quiser inclinar o encosto terá de pagar um valor adicional. A decisão faz parte de um novo modelo de cabines que promete “oferecer conforto a todos os orçamentos”, segundo explicou a companhia, citada pelo jornal americano New York Post.
Premium para quem paga, espaço fixo para o resto
Os novos interiores terão uma cabine Premium com apenas 12 lugares, equipados com assentos reclináveis, encostos ajustáveis e almofadas ergonómicas: o mesmo tipo usado nos aviões Dreamliner da empresa.
No entanto, a grande maioria dos passageiros, especialmente os da classe económica, terá de se contentar com bancos de reclinação fixa.
Logo atrás da zona Premium surgirá uma área chamada Extended Comfort, composta por 36 lugares com mais espaço para as pernas e separados por um divisor. Ainda assim, de acordo com a mesma fonte, esses assentos também não reclinam, sendo apenas uma versão ligeiramente mais espaçosa da classe económica tradicional.
Menos espaço, mais filas
Com esta alteração, a companhia conseguiu adicionar mais uma fila de lugares por avião. A estratégia permite reduzir o custo por assento e, segundo a WestJet, citada pela mesma fonte, responder “à procura crescente por opções mais acessíveis”.
As filas traseiras, entre as 20 e as 31, serão as mais apertadas, com menos espaço entre bancos. Já as filas da frente, dentro da mesma classe económica, terão alguns centímetros extra, mas ainda longe do conforto das cabinas superiores.
“Pagar para ter o que já se tinha”
Nem todos aplaudem a novidade. Especialistas em direitos dos passageiros, citados pela mesma fonte, criticam a medida, considerando-a um exemplo claro de como as companhias estão a cobrar por serviços que antes eram padrão.
John Gradek, professor de aviação na Universidade McGill, foi direto ao ponto em declarações: “A imaginação dos departamentos de marketing das companhias aéreas nunca deixa de surpreender. Estamos a chegar ao ponto em que pagamos mais apenas para ter o que já tínhamos.”
Novo conceito de “conforto acessível”
A WestJet insiste que a mudança faz parte de um plano para diversificar a oferta e “melhorar a experiência de viagem em todas as gamas de preço”. No entanto, para muitos passageiros, o resultado é claro, refere o New York Post: menos espaço, menos conforto e mais taxas.
Com esta tendência a espalhar-se por outras companhias de baixo custo, reclinar o banco pode, em breve, tornar-se um luxo reservado apenas a quem estiver disposto a pagar por ele.
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