A educação vai muito além do ensino de matemática, línguas ou ciências. Em algumas escolas japonesas, a gestão de conflitos e a compreensão das emoções tornou-se uma parte essencial do dia a dia. De acordo com o HuffPost, site especializado em lifestyle e atualidade, existe um método que permite que os alunos resolvam os seus próprios desentendimentos praticamente sem intervenção dos professores.
Observando sem intervir
Este modelo, conhecido como Mimamoru, significa observar atentamente e ensinar sem intervir. Em vez de recorrer a castigos ou ordens, os docentes mantêm-se atentos e permitem que as crianças encontrem soluções para os seus problemas sozinhas, promovendo reflexão e empatia.
Segundo a mesma fonte, esta abordagem está profundamente enraizada nas escolas e famílias japonesas, funcionando como uma orientação não escrita que molda o caráter desde cedo.
Três níveis de atuação docente
O Mimamoru organiza a intervenção dos professores em três níveis. O primeiro é intervir apenas quando a segurança de algum aluno está em risco. O segundo permite que os conflitos sejam resolvidos entre os próprios estudantes, sem interferência. O terceiro aplica-se a grupos que já demonstraram maturidade suficiente para gerir desacordos de forma autónoma, dispensando totalmente a presença ativa do docente.
Segundo a mesma publicação, esta estratégia ensina as crianças a avaliar as consequências dos seus atos, a reconhecer emoções alheias e a desenvolver autonomia e responsabilidade.
Inteligência emocional em prática
Além de melhorar o comportamento, o Mimamoru contribui para o desenvolvimento da inteligência emocional. Crianças que aprendem a resolver conflitos sozinhas tornam-se mais conscientes das suas próprias emoções e das dos outros, além de assumirem maior responsabilidade pelos seus atos.
Este método prepara os alunos para a vida em sociedade, promovendo cooperação, respeito e empatia.
Um contraste com o ocidente
Em muitos países ocidentais, como os Estados Unidos ou Portugal, crianças que se portam mal são frequentemente castigadas ou expulsas da sala de aula.
No Japão, segundo a mesma fonte, a intervenção adulta é mínima e cuidadosamente calibrada, permitindo que os alunos aprendam com a experiência e desenvolvam competências sociais de forma natural.
Uma sala de aula diferente
A filosofia por trás do Mimamoru mostra que a educação pode ir além do controlo e da obediência. Quando as crianças são encorajadas a pensar por si, a compreender os outros e a refletir sobre as consequências das suas ações, crescem com maior sentido de responsabilidade.
De acordo com o HuffPost, este método japonês demonstra que ensinar também pode significar saber observar e confiar que a aprendizagem acontece no silêncio da experiência.
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