O que deveria ser um cruzeiro de lazer pelas Caraíbas transformou-se num caso judicial invulgar. Um passageiro atirou-se ao mar para tentar fugir a uma dívida de milhares de dólares acumulada no casino a bordo. O gesto, contudo, não correu como planeado e acabou com a sua detenção em Porto Rico.
De acordo com o jornal americano Fox Business, o incidente ocorreu na manhã de 7 de setembro, quando o navio Rhapsody of the Seas, da Royal Caribbean, se encontrava atracado em San Juan. Enquanto outros passageiros se preparavam para desembarcar, o homem decidiu lançar-se à água a partir de um dos 12 conveses da embarcação.
Pouco depois, foi resgatado por duas pessoas que circulavam numa mota de água na zona portuária. O episódio chamou de imediato a atenção das autoridades norte-americanas, que o detiveram cerca de meia hora depois.
Dívida no casino a bordo
Segundo a queixa-crime apresentada no Tribunal Federal de Porto Rico, o passageiro tinha embarcado no cruzeiro no final de agosto. Durante a viagem, acumulou uma dívida de mais de 16 mil dólares (13.700€) associada quase exclusivamente a jogos de casino.
A Royal Caribbean informou que o homem se registou com uma identidade distinta, usando o nome “Jeremy Diaz”. A empresa confirmou que o valor em falta totalizava 16.710,24 dólares.
A tentativa de fuga acabou por expor a situação financeira do passageiro, que agora enfrenta não só a dívida como também acusações criminais.
Reações às autoridades
Durante o interrogatório, o detido mostrou-se pouco colaborante. Quando questionado sobre a sua identidade, respondeu de forma evasiva: “Se fizessem bem o vosso trabalho, já saberiam quem eu sou”.
Verificações posteriores revelaram ainda um detalhe surpreendente: um homem com nome muito semelhante encontra-se já em prisão preventiva em Porto Rico desde janeiro. O detido alegou tratar-se do seu irmão.
Consequências legais
Identificado como Jey Gonzalez-Diaz, o suspeito foi libertado sob caução, mas poderá enfrentar uma pena pesada. A lei norte-americana prevê até cinco anos de prisão e uma multa que pode atingir 250 mil dólares, caso seja condenado.
A acusação formal refere tentativa de evasão a obrigações financeiras e uso de identidade falsa na reserva da viagem.
Contexto recente da companhia
Segundo a Fox Business, este episódio soma-se a outros incidentes recentes envolvendo a Royal Caribbean. Em agosto, um passageiro ficou ferido num escorrega aquático do navio Icon of the Seas, quando uma placa de acrílico cedeu durante a descida.
Na mesma embarcação, duas semanas antes, um tripulante morreu ao atirar-se ao mar depois de alegadamente ter esfaqueado um colega, segundo a Polícia das Bahamas, citada pela mesma fonte.
Imagem da indústria em risco
Casos como este levantam questões sobre a segurança e a vigilância em cruzeiros internacionais, cada vez mais procurados por turistas de todo o mundo.
As companhias sublinham que estes episódios são excecionais face ao número de passageiros transportados anualmente, mas cada ocorrência ganha grande visibilidade mediática.
Lembram ainda que saltar ao mar a partir de um navio desencadeia de imediato um protocolo de “homem ao mar”, com manobras de paragem, lançamento de botes e mobilização de equipas de salvamento, operações que colocam em risco passageiros e tripulação e geram custos elevados.
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