A ideia de trabalhar 4 dias por semana está a ganhar terreno em várias partes do mundo. Depois de décadas em que a semana de cinco dias foi a norma, a discussão sobre jornadas mais curtas entrou na agenda política e empresarial em muitos países.
Vários programas-piloto têm mostrado resultados positivos tanto para empresas como para trabalhadores, com aumentos de produtividade e melhorias na saúde mental. Ainda assim, a adoção definitiva continua a ser cautelosa.
Experiências fora da Europa
Na Austrália e na Nova Zelândia, 20 empresas de setores como marketing, finanças e tecnologia testaram entre 2022 e 2023 o modelo 100-80-100: 100% do salário, 80% do tempo e 100% da produtividade, explica a plataforma de notícias Stars Insider. O objetivo foi equilibrar vida pessoal e trabalho, reduzindo também consumos energéticos.
No Canadá, experiências semelhantes mostraram ganhos de satisfação entre trabalhadores e maior empenho nas equipas. Já no Japão, a Microsoft registou um aumento de 39,9% na produtividade durante uma experiência com três dias de descanso semanais.
Apostas na Europa do Norte
A Dinamarca, conhecida pela flexibilidade laboral, testou semanas de 35 horas em municípios como Odsherred, aproximando-se de um modelo de quatro dias. Na Islândia, entre 2015 e 2019, mais de 2.500 trabalhadores participaram num ensaio que provou ser um sucesso, levando hoje 86% da população ativa a usufruir de semanas mais curtas, revela a mesma fonte.
Na Irlanda, uma experiência em 2022 com mais de 20 empresas mostrou que a redução de dias de trabalho pode vir a ser norma. Um inquérito desse ano revelou que 54% dos profissionais acreditam que o modelo será realidade dentro de cinco anos.
Reformas no centro da Europa
Na Alemanha, mais de 150 empresas já adotaram oficialmente a semana de quatro dias. Um inquérito recente indicou que 71% das empresas apoiam a mudança, com o maior sindicato do país, IG Metall, também a defender a ideia.
Na Bélgica, desde 2022, os trabalhadores podem concentrar as 40 horas em apenas quatro dias, ficando com fins de semana prolongados. A lei introduziu ainda o direito a desligar após o horário de trabalho, protegendo a vida pessoal.
Vizinhos mediterrânicos
Em Espanha, desde 2021, está em curso um programa financiado pelo governo para testar o modelo 100-80-100 em até 400 empresas, refere ainda a Stars Insider. Uma tecnológica participante reportou um aumento de 20% nas vendas e uma redução de 20% no absentismo.
Além disso, grandes empresas como a Telefónica já oferecem a opção de quatro dias, embora com redução proporcional de salário. A experiência mostra que, apesar de bem recebida por muitos trabalhadores, a adaptação ainda depende do setor e da estrutura das empresas.
O que se perspetiva
Outros países como a Finlândia e os Países Baixos também têm vindo a discutir ou aplicar versões adaptadas do modelo. Nos Países Baixos, a média de horas semanais já é das mais baixas da Europa, fruto de uma longa tradição de flexibilidade laboral.
A experiência internacional sugere que trabalhar 4 dias por semana pode trazer benefícios em produtividade, motivação e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Contudo, a sua implementação ainda está longe de ser uniforme e permanece em fase de testes em muitos locais.
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