O que parecia ser apenas um ninho deste inseto transformou-se num alerta inesperado numa instalação nuclear da Carolina do Sul. Descoberto no início de julho, o mesmo apresentava níveis de radiação dez vezes acima do permitido pelas normas federais, expondo um problema que vai muito além do simples incómodo de insetos.
Este caso ocorreu no Savannah River Site, uma histórica instalação utilizada durante a Guerra Fria para a produção de materiais destinados a armas nucleares. Situado perto da cidade de Aiken, o complexo é hoje gerido pela empresa Savannah River Mission Completion (SRMC), responsável por supervisionar o processo de descontaminação do local.
Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o ninho de vespas foi detetado a 3 de julho por técnicos das Operações de Controlo Radiológico. Encontrava-se num poste junto aos tanques subterrâneos onde são armazenados resíduos nucleares líquidos. A proximidade desta zona sensível elevou as preocupações de quem acompanha a segurança da instalação, refere a Executive Digest.
Nenhuma vespa estava viva
A análise revelou cerca de 100 mil dpm (decay per minute), um valor que representa um nível de radiação moderadamente elevado. De imediato, as autoridades pulverizaram a estrutura com inseticida, removeram-na e acondicionaram-na como resíduo radiológico. Não foram encontradas vespas vivas no interior.
O Departamento de Energia garantiu que não existe qualquer fuga nos tanques e explicou que a radiação é resultado de uma “contaminação herdada” do tempo em que o complexo operava em plena capacidade. O atraso na divulgação do caso, segundo o próprio departamento, prendeu-se com a necessidade de rever dados anteriores sobre contaminação na vida selvagem.
Explicação oficial não convence
Mesmo assim, a explicação oficial não convenceu todos. O grupo ambientalista Savannah River Site Watch exigiu mais transparência e considerou o relatório “incompleto”. O diretor executivo, Tom Clements, questionou como é que o ninho ficou contaminado e se não haverá outros casos semelhantes por detetar.
Segundo Clements, saber o tipo de ninho encontrado poderia ser decisivo, já que algumas espécies utilizam terra e outras fibras vegetais mastigadas, o que poderia indicar a origem do material radioativo. Sem esta informação, permanece a dúvida sobre a verdadeira rota de contaminação.
Outra preocupação levantada pelos ambientalistas é a possibilidade de existirem outros ninhos contaminados na área. Sem identificar a origem do problema, não é possível garantir que este foi um caso isolado., refere a mesma fonte.
Por sua vez, a SRMC assegura que não há riscos para a saúde pública. A empresa lembra que os tanques estão localizados muito dentro do perímetro do complexo e que as vespas sociais raramente voam mais do que algumas centenas de metros a partir do ninho. Na prática, isto significa que dificilmente teriam saído da instalação.
Empresa diz não haver perigo de contaminação
Mesmo que houvesse insetos vivos, acrescenta a empresa, os níveis de radiação nos corpos das vespas seriam inferiores aos registados na estrutura do ninho, reduzindo ainda mais qualquer potencial ameaça.
O Savannah River Site tem uma história marcada pela produção de materiais estratégicos, como o trítio e o plutónio-239, ambos essenciais para a criação de bombas nucleares. Construído nos anos 50, foi um pilar do programa nuclear norte-americano durante décadas.
Com o fim dessa fase, a missão mudou para a descontaminação e o tratamento de resíduos. Desde então, mais de 625 milhões de litros de resíduos nucleares líquidos foram processados, reduzindo o volume para cerca de 129 milhões. Ainda assim, 43 tanques subterrâneos permanecem ativos.
Um lembrete
A descoberta do ninho não afetou diretamente as operações, mas serviu como lembrete de que a contaminação histórica continua presente, refere a mesma fonte. Mesmo décadas após o encerramento das atividades nucleares, o local ainda guarda perigos silenciosos no seu solo e na sua fauna.
O Departamento de Energia afirma que não encontrou sinais de contaminação adicional nas áreas circundantes. Ainda assim, para organizações ambientalistas, o episódio mostra que a monitorização e a comunicação com o público precisam de ser reforçadas.
Para Tom Clements, a questão está longe de encerrada: “A origem da radiação ainda não está clara, e isso é preocupante. Pode haver mais casos semelhantes que ainda não foram detetados.” Enquanto não chegam novas respostas, o episódio deixa uma certeza, segundo a Executive Digest: no Savannah River Site, até um simples ninho de vespas pode carregar o peso radioativo de um passado que ainda não foi totalmente enterrado.
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