Viajar de avião implica seguir regras de segurança cada vez mais rigorosas, definidas para proteger passageiros e tripulação. Entre limitações de líquidos, aparelhos eletrónicos e equipamentos especiais, há novas normas que visam reduzir riscos durante o voo e que já estão a ser aplicadas em vários continentes, incluindo na União Europeia (UE), como é caso da proibição deste objeto nesta bagagem do avião.
Nem tudo o que segue no porão é seguro
Muitos passageiros confundem as limitações da bagagem de mão com as aplicadas ao porão. O exemplo mais comum é o dos líquidos: frascos superiores a 100 ml não podem entrar na cabine, mas são aceites no porão. Esta lógica, no entanto, não é válida para todos os artigos.
Na incerteza, há quem prefira despachar certos objetos nas malas, acreditando que assim cumpre as normas. No caso das baterias de lítio, contudo, essa decisão representa precisamente o maior perigo, de acordo com o jornal americano Washington Post.
Power banks fora da bagagem despachada
De acordo com a Agência da União Europeia para a Segurança Aérea (EASA), citada pela mesma fonte, as baterias de lítio, incluindo carregadores portáteis, devem ser sempre transportadas na bagagem de mão, nunca nas malas do porão.
As normas impõem ainda que sejam devidamente acondicionadas para evitar curto-circuitos, estando o uso proibido a bordo na maioria das companhias. Cada passageiro só pode transportar duas baterias adicionais, com limites máximos de potência já definidos.
Regras reforçadas em diferentes regiões
Nos Estados Unidos, a Administração de Segurança no Transporte (TSA) segue orientações semelhantes: power banks com baterias de iões de lítio não podem ser colocados nas malas despachadas, devendo sempre ir na cabine.
Em alguns países asiáticos, os critérios são ainda mais apertados. Nas Filipinas, por exemplo, dispositivos com mais de 160 watts-hora não podem ser transportados, nem sequer em bagagem de mão. Já na Coreia do Sul, após um incêndio num voo da Air Busan, as exigências de segurança foram endurecidas, refere ainda a mesma fonte.
Risco elevado das baterias de lítio
Especialistas em segurança aérea, citados pela mesma fonte, explicam que as baterias de lítio concentram muita energia, o que as torna eficientes, mas também instáveis. Se forem danificadas ou expostas a altas temperaturas, podem provocar faíscas ou até incêndios.
Um fogo no porão de um avião é particularmente perigoso, uma vez que fica fora do alcance imediato da tripulação e é muito difícil de controlar em pleno voo.
Transporte obrigatório na cabine
Por estes motivos, praticamente todas as transportadoras europeias, asiáticas e norte-americanas obrigam ao transporte destes dispositivos na bagagem de mão. O power bank deve estar desligado, fora de uso durante o voo e, de preferência, com os terminais protegidos.
Alguns fabricantes chegam a aconselhar o transporte na embalagem original, para reduzir o risco de contacto acidental com outros objetos metálicos.
Ignorar a norma pode custar caro
Antes de embarcar, é essencial confirmar as regras da companhia aérea relativamente a eletrónica e baterias. Um simples carregador portátil pode originar a retenção da mala ou mesmo impedir o embarque.
Em caso de dúvida, a recomendação é verificar o site oficial da transportadora ou as normas do aeroporto, já que algumas companhias aplicam restrições adicionais em rotas específicas, segundo o Washington Post.
Desde março deste ano, novas regras em companhias como a EVA Air, Tigerair ou Air Busan obrigam os passageiros a manter os power banks visíveis e fora da mochila durante todo o voo, mesmo desligados.
A EASA reiterou em junho de 2025 que todos os modelos com mais de 160 Wh estão proibidos em aviões comerciais, mesmo na cabine, sendo classificados como carga perigosa. Já os que variam entre 101 e 160 Wh apenas podem ser levados com autorização da companhia e em quantidade limitada.
Curiosidade
O primeiro power bank portátil surgiu em 2001, mas tinha capacidade para carregar apenas cerca de 50% da bateria de um telemóvel da época. Hoje, alguns modelos ultrapassam os 30.000 mAh e conseguem alimentar não só smartphones, mas também computadores portáteis inteiros.
















