Tal como acontece em Portugal, o sistema de pensões em Espanha enfrenta uma pressão crescente, agravada pelo aumento das prestações e pelo envelhecimento da população. De acordo com o jornal La Vanguardia, em 2025 a pensão média mensal atingiu os 1.314 euros, resultado das revalorizações aprovadas para manter o poder de compra. Embora a economia espanhola tenha registado crescimento no último ano, o ritmo de despesa continua a superar as previsões e levanta preocupações quanto à sustentabilidade do sistema.
Perante este cenário, o médico reformado Juan José López, de 83 anos, decidiu deixar um aviso às gerações mais novas. Com uma pensão mensal de 2.500 euros, defende que o futuro das reformas dependerá das escolhas feitas hoje.
Para o antigo clínico, apenas carreiras contributivas estáveis e políticas de financiamento sustentáveis poderão garantir a continuidade das prestações.
Peso das pensões e o limite da despesa
A Segurança Social destina atualmente mais de 13.600 milhões de euros por mês ao pagamento de pensões, sendo quase 10.000 milhões referentes a reformas. O gasto contributivo representa cerca de 11,7% do PIB, e o défice do sistema mantém-se próximo de 1,9%.
A mesma fonte recorda que a cláusula fiscal acordada com Bruxelas estabelece um limite de despesa média de 15% do PIB entre 2022 e 2050. No entanto, as previsões apontam para que, a meio do século, esse valor atinja entre 16% e 17%. Neste contexto, cada ano de descontos torna-se decisivo para garantir o equilíbrio financeiro do sistema.
Jovens em risco num mercado laboral frágil
Nas mesmas declarações, López comparou a sua situação à dos trabalhadores mais jovens. A sua pensão é fruto de uma carreira longa e bem remunerada, enquanto as novas gerações enfrentam empregos temporários, salários mais baixos e custos de vida mais elevados. Essa disparidade ameaça a capacidade do sistema de manter as prestações futuras.
O médico resume o problema com clareza: “Os jovens vivem pior do que os pensionistas porque os salários são muito baixos e, embora as pensões também o sejam, continuam a ser mais altas do que o que ganha a maioria dos jovens.” Esta diferença, explica o jornal, acentua o risco de desequilíbrio entre contribuintes e beneficiários.
Cada ano conta
Atualmente, a relação em Espanha é de 2,4 contribuintes por pensionista. A Autoridade Independente de Responsabilidade Fiscal (AIReF) prevê que em 2050 a taxa de dependência se aproxime dos 70%, pelo que o sistema de pensões pode colapsar nesse ano. Isso significará uma pressão acrescida não só sobre as pensões, mas também sobre a despesa em saúde e cuidados.
Segundo a mesma fonte, para obter o valor total da pensão é essencial ter uma carreira laboral contínua, sem interrupções. “Cada ano conta, e cada lacuna pesa”, afirma López. Por isso, aconselha os jovens a adotarem medidas práticas: rever as bases de contribuição, colmatar períodos sem descontos, ponderar a idade de reforma e investir em formação para melhorar a produtividade e as bases futuras.
Planeamento em vez de alarme
O médico insiste que o seu objetivo não é lançar o pânico, mas encorajar a preparação. Citado pelo La Vanguardia, López resume a sua mensagem num tom pedagógico: “não é uma advertência pessimista, é um lembrete. É preciso rever o histórico de descontos, cuidar das bases e decidir com tempo.”
A sua reflexão traduz a preocupação de uma geração que observa com apreensão as mudanças no mercado de trabalho. A sustentabilidade das pensões, conclui, não dependerá apenas das políticas públicas, mas também das decisões individuais tomadas ao longo da vida profissional.
















