Os preços das rendas das casas em Portugal continuam a subir, tornando o arrendamento cada vez mais dispendioso para muitas famílias. Em fevereiro, registou-se um aumento médio de 3,9% face ao mesmo período do ano passado. Atualmente, o valor mediano das rendas situa-se nos 16,4 euros por metro quadrado, um número que tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos anos.
Capitais de distrito com maiores aumentos
Este aumento tem sido particularmente notório, como pode consultar no índice de preços no Idealista, em algumas capitais de distrito, como Évora, onde as rendas subiram 18,3%, Faro, com um acréscimo de 16,7%, e Funchal, onde os preços aumentaram 16,6%.
Para além disso, Santarém, Braga, Viana do Castelo e Setúbal registaram subidas significativas, refletindo a tendência nacional de crescimento dos valores no mercado de arrendamento.
Cidades mais caras e mais acessíveis
Entre as cidades mais caras para arrendar, Lisboa continua a liderar com um custo médio de 21,8 euros por metro quadrado. O Porto surge logo a seguir, com rendas a rondar os 17,2 €/m2, e o Funchal ocupa o terceiro lugar com 16,1 €/m2.
O aumento dos preços das rendas das casas não se verifica apenas nas cidades, mas também a nível distrital. Os maiores acréscimos registaram-se em Faro, com uma subida de 19,3%, seguido pela ilha de São Miguel (17,3%) e Santarém (14,7%).
Por outro lado, ainda existem algumas zonas do país onde arrendar casa é mais acessível. Castelo Branco, por exemplo, apresenta valores médios de 6,8 €/m2, enquanto em Leiria as rendas situam-se nos 8,4 €/m2 e em Viana do Castelo nos 8,6 €/m2.
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Fatores que explicam o aumento das rendas
Este aumento das rendas das casas é reflexo de vários fatores, incluindo a crescente procura por habitação em áreas urbanas, a limitação da oferta de imóveis para arrendamento e o impacto das políticas públicas sobre o setor imobiliário.
Muitas famílias e jovens que procuram uma casa para arrendar sentem dificuldades em encontrar opções acessíveis dentro das grandes cidades, vendo-se obrigadas a procurar uma opção nos subúrbios das mesmas.
O turismo e o alojamento local também têm tido um impacto significativo no mercado de arrendamento, especialmente nas grandes cidades. O crescimento do turismo impulsionou a conversão de muitas habitações para alojamento temporário, reduzindo assim a oferta de imóveis disponíveis para arrendamento de longa duração.
Além disso, o aumento das taxas de juro no crédito à habitação levou muitas pessoas a optar pelo arrendamento em vez da compra, o que fez crescer ainda mais a procura. Esta situação contribuiu para uma maior pressão sobre os preços e para a dificuldade de muitas famílias em garantir um contrato de arrendamento a valores razoáveis.
Alternativas para enfrentar os preços elevados
Para muitos portugueses, a escalada dos preços das rendas das casas tem levado a uma mudança nas preferências e nos locais escolhidos para viver.
Cada vez mais pessoas procuram alternativas em cidades mais pequenas ou nos arredores dos grandes centros urbanos, onde os preços são mais acessíveis e a qualidade de vida pode ser superior.
Os especialistas no setor imobiliário alertam que, sem medidas eficazes para aumentar a oferta de habitação e tornar o arrendamento mais acessível, o problema poderá agravar-se nos próximos anos.
O investimento na construção de novas habitações e o incentivo ao arrendamento de longa duração são algumas das soluções sugeridas para equilibrar o mercado.
O papel das políticas públicas
A política de habitação tem estado no centro do debate público, com o Governo a apresentar diferentes propostas para controlar a subida dos preços. Algumas medidas incluem a regulação do mercado de arrendamento, incentivos fiscais para proprietários que optem pelo arrendamento de longa duração e restrições ao alojamento local em determinadas zonas.
Enquanto isso, os portugueses continuam a enfrentar desafios para encontrar habitação a preços acessíveis. Para muitas pessoas, o arrendamento representa uma solução temporária, enquanto procuram alternativas mais estáveis e sustentáveis para o futuro.
No entanto, mesmo com os desafios atuais, o mercado de arrendamento português continua a ser dinâmico e a oferecer oportunidades para quem está disposto a explorar diferentes localizações e soluções habitacionais.
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