A sorte parecia ter batido à porta de uma mulher de 83 anos nos Estados Unidos, mas o que prometia ser o momento mais feliz da sua vida ao vencer a lotaria, acabou por se transformar num verdadeiro pesadelo legal.
Um prémio histórico
Milhões de pessoas em todo o mundo arriscam nos jogos de azar todos os anos, na esperança de melhorar as suas condições de vida. A maioria perde mais do que ganha, mas quando a fortuna sorri, a expectativa é enorme.
Foi exatamente isso que aconteceu em fevereiro de 2025, quando esta reformada norte-americana venceu um prémio de Lotto Texas avaliado em 83 milhões de dólares, o equivalente a 71,5 milhões de euros.
De acordo com o jornal espanhol AS, o bilhete vencedor foi adquirido de forma aparentemente simples: através da aplicação Jackpocket Lottery, uma plataforma digital que permitia comprar apostas em estabelecimentos autorizados sem sair de casa.
Reviravolta inesperada
Durante alguns dias, tudo parecia decorrer sem sobressaltos. O bilhete estava validado e o prémio aguardava apenas o levantamento. Porém, a tranquilidade durou pouco.
Uma semana após o sorteio, a Loteria do Texas anunciou a suspensão do uso de serviços de terceiros não regulados para a aquisição de bilhetes. Entre esses serviços estava precisamente a aplicação utilizada pela vencedora.
A justificação apresentada pela entidade gestora prendeu-se com um vazio legal. Estas plataformas digitais funcionavam como intermediários, mas não existia regulamentação clara sobre comissões, tarifas ou responsabilidades de gestão.
Uma fortuna em risco
De repente, a reformada viu-se impedida de reclamar o prémio milionário. Apesar de ter o bilhete válido, as novas regras deixaram-na sem possibilidade de levantar o dinheiro.
A decisão caiu como um choque. Em causa estavam mais de 70 milhões de euros que poderiam mudar radicalmente a sua vida e a da sua família. Apesar do contratempo, a mulher não baixou os braços e decidiu avançar para os tribunais.
A batalha judicial
No mês de maio, apresentou uma ação contra a Lotaria do Texas. O argumento central foi simples: as regras não podem ser alteradas depois de realizado o sorteio.
Segundo a defesa, qualquer mudança na regulamentação só poderia aplicar-se a apostas futuras e nunca a prémios já atribuídos. Assim, o direito ao valor conquistado deveria ser respeitado.
Na ação, acusa a lotaria de tentar privá-la de um prémio que lhe pertence por inteiro, depois de ter jogado de boa-fé.
O que esperar agora
Segundo o AS, o processo ainda se encontra numa fase inicial e os especialistas alertam que poderá prolongar-se durante meses ou mesmo anos. A decisão final dependerá da interpretação dos tribunais sobre a validade dos bilhetes comprados através de aplicações não reguladas.
Enquanto isso, a mulher continua sem acesso ao montante que lhe poderia garantir uma reforma tranquila e sem preocupações financeiras.
O caso está a gerar debate nos Estados Unidos, sobretudo porque levanta questões sobre o futuro da venda de bilhetes de lotaria online e a proteção dos jogadores perante mudanças repentinas de regras.
Entre a esperança e a incerteza
Embora nada esteja decidido, a história desta reformada de 83 anos mostra como até a maior das fortunas pode ficar em suspenso por uma questão legal.
O desfecho permanece em aberto e só os tribunais dirão se a sorte desta jogadora foi ou não definitiva. Até lá, resta-lhe esperar que a justiça reconheça o direito a usufruir do prémio conquistado.
Leia também: Se vir isto na ranhura do Multibanco, afaste-se: conheça a nova burla que já chegou a Portugal
















