Ir a bares ou restaurantes é, para a maioria das pessoas, sinónimo de lazer e convívio. Mas por detrás da simpatia do empregado e do ambiente acolhedor podem esconder-se estratégias subtis que levam os clientes a gastar mais do que tinham planeado. Pequenos detalhes, aparentemente inofensivos, fazem parte de técnicas estudadas ao pormenor.
O menu como primeiro “isco”
De acordo com o portal de economia Business Insider, uma das práticas mais frequentes começa logo no menu. Muitos estabelecimentos optam por retirar o símbolo do euro junto ao preço. Esta escolha não é inocente: sem a referência direta ao dinheiro, o valor é percecionado como mais leve, diminuindo a resistência psicológica ao gasto.
Esta técnica tem até nome próprio, “engenharia do menu”, e tornou-se comum tanto em grandes cadeias internacionais como em pequenos restaurantes de bairro. O objetivo é simples: criar uma sensação de naturalidade no ato de escolher, sem que o cliente pense demasiado na carteira.
O poder das palavras
Outro recurso bastante usado passa pela forma como os empregados sugerem novos consumos. Em vez de perguntarem apenas “quer outra bebida?”, recorrem a frases mais elaboradas, como “trago o vinho num copo mais fresco?”. O tom sofisticado e atencioso dá a sensação de cuidado extra, mas tem um efeito claro: aumentar a probabilidade de o cliente aceitar.
Vender mais sem se dar conta
A chamada “venda ao alça” (upselling) é outra arma frequente. Consiste em sugerir versões mais caras do mesmo produto, seja um gin de marca premium ou um cocktail com ingredientes exclusivos. O cliente sente que está a melhorar a experiência, mas o resultado é sempre um acréscimo no valor final da conta.
Noutros casos, a ocasião também pesa. Quando o cliente menciona que está a celebrar um aniversário ou uma data especial, é comum a insistência em recomendar garrafas ou opções mais caras, associando a ideia de festa ao consumo elevado.
A função oculta dos aperitivos
As entradas oferecidas em muitos bares também têm um papel estratégico. Azeitonas, batatas fritas ou frutos secos são quase sempre salgados, estimulando naturalmente a sede. Resultado: o consumo de bebidas aumenta, prolongando o tempo à mesa e elevando o valor a pagar no fim.
Mesmo quando a lei impede que um cliente consuma mais bebidas alcoólicas fortes, alguns estabelecimentos sugerem alternativas “leves”, como cervejas ou mojitos, de modo a não perder totalmente o consumo.
Uma engenharia pensada ao detalhe
Todos estes elementos mostram como a psicologia está presente no funcionamento de bares e restaurantes. Do modo como o preço aparece impresso no menu à forma como é feita uma simples pergunta, nada é deixado ao acaso.
Segundo especialistas citados pela imprensa internacional, estas técnicas reduzem a chamada “fricção mental”, ou seja, a consciência imediata de que se está a gastar dinheiro. Quanto menos o consumidor pensar no custo, maior a probabilidade de gastar mais.
Decisões mais conscientes
Conhecer estes mecanismos não significa deixar de ir a restaurantes, mas sim estar mais atento. Ao perceber que determinadas práticas visam aumentar a fatura, o cliente pode decidir de forma mais racional e manter o controlo do seu orçamento.
As contas finais mais elevadas não resultam apenas do apetite ou da vontade de celebrar: muitas vezes são fruto de estímulos cuidadosamente planeados, de acordo com o Business Insider.
O equilíbrio entre prazer e consumo
Apesar de tudo, estas estratégias também mostram a importância do ambiente na restauração. O cliente não paga apenas a comida ou a bebida, mas sim a experiência completa. Saber distinguir entre o que é prazer e o que é manipulação é a chave para continuar a desfrutar sem se sentir enganado.
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