Há um gesto que milhares de portugueses fazem automaticamente nas caixas Multibanco e que pode estar a expô-los a burlas sem se aperceberem. Especialistas em segurança bancária, citados pelo jornal espanhol AS, alertam que um simples detalhe é suficiente para fornecer informação valiosa a quem procura enganar clientes distraídos.
Com o uso cada vez mais generalizado de cartões e pagamentos digitais, o dinheiro vivo vai desaparecendo das carteiras. Ainda assim, quando surge a necessidade de levantar notas ou consultar o saldo, a maioria dos utilizadores continua a seguir as recomendações básicas: tapar o código PIN, garantir que ninguém observa os movimentos e recolher o cartão de imediato.
O problema começa depois da operação concluída, quando o terminal apresenta a pergunta habitual, se deseja ou não um comprovativo em papel. É neste ponto que muitos se colocam em risco, sem sequer imaginar.
Um talão que pode revelar mais do que parece
Grande parte dos clientes carrega no “Sim” por hábito, quase sem pensar. No entanto, esse pequeno pedaço de papel contém dados sensíveis que podem ser explorados para fins fraudulentos.
Embora não inclua o PIN nem o número completo do cartão, o comprovativo mostra os últimos dígitos, o tipo de conta e, muitas vezes, o saldo disponível. Esses elementos podem servir de base a burlas telefónicas bem montadas, em que o criminoso se faz passar por funcionário bancário e usa a informação parcial para ganhar credibilidade.
De acordo com o jornal espanhol AS, este tipo de esquema tem-se tornado comum em vários países europeus, e Portugal não é exceção.
Recomendações das entidades financeiras
Os bancos nacionais e o próprio Banco de Portugal recomendam que os comprovativos em papel só sejam solicitados quando estritamente necessários. Caso o façam, os utilizadores devem guardá-los em segurança e destruí-los antes de os deitar fora.
Deixar o talão esquecido no Multibanco ou no chão é um erro frequente que pode ser aproveitado por terceiros. Os especialistas alertam que basta um pequeno detalhe impresso para alguém conseguir associar um número de conta a um nome ou número de telefone e iniciar uma tentativa de fraude.
Prevenir continua a ser a melhor defesa
Os conselhos são simples, mas eficazes. Evite guardar comprovativos dentro da carteira, sobretudo junto de cartões bancários. Se precisar deles, rasgue ou destrua completamente antes de os descartar.
Nunca partilhe informações financeiras por telefone, mesmo que a chamada pareça vir do seu banco. As instituições legítimas não pedem confirmações de dados pessoais nem códigos de acesso através de contactos inesperados.
A maioria das burlas digitais e telefónicas baseia-se na distração ou na confiança excessiva das vítimas, que não reconhecem os sinais de alerta.
O papel pode ser pequeno, mas o risco é real
Numa altura em que os pagamentos digitais substituem o dinheiro físico, proteger a informação impressa é tão importante quanto proteger os dados online. O talão do Multibanco pode parecer inofensivo, mas contém fragmentos de informação suficientes para comprometer a segurança financeira.
Prevenir é o melhor remédio
As autoridades apelam à vigilância e lembram que o combate às burlas começa com a consciência individual. Evitar gestos automáticos e repensar hábitos do dia a dia pode fazer toda a diferença.
Por vezes, o perigo não está nas grandes fraudes informáticas, mas sim nos pequenos papéis esquecidos que revelam mais do que deviam.
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