Com a inflação a disparar e os salários a manterem-se praticamente estagnados, muitos questionam como conseguir pôr algum dinheiro de lado todos os meses. A resposta pode estar nas chamadas “despesas invisíveis”, pequenas despesas diárias que parecem inofensivas mas que, acumuladas ao longo dos anos, podem significar milhares de euros, garante um economista.
O economista Iñaki Arcocha, no podcast Roca Project, defende que eliminar despesas como o café diário ou o aperitivo com amigos é uma estratégia simples e eficaz para ganhar margem financeira. Segundo os cálculos que apresentou, um café de 2 euros por dia equivale a cerca de 700 euros por ano. Investido com uma rentabilidade de 5% durante dez anos, esse valor pode transformar-se em 10 mil euros.
O impacto da disciplina no dia a dia
A lógica é clara: pequenas quantias, poupadas e investidas de forma consistente, geram um efeito multiplicador. “Há que pensar nos pequenos 2 euros que existem na nossa vida e que podemos eliminar para conseguir um futuro melhor”, sublinhou o economista, citado pelo jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Apesar de parecer uma filosofia rigorosa, Arcocha alerta que se trata de uma questão de mentalidade e disciplina. Tal como se planeia uma ida às compras ou umas férias, o especialista defende que também no quotidiano deve existir planeamento financeiro.
Para lá do café: subscrições e consumos supérfluos
As “despesas invisíveis” não se limitam à restauração. Plataformas de streaming como Netflix ou HBO são outro exemplo de despesas mensais que, somadas, podem representar centenas de euros por ano. “Quando pagas, vês apenas o café ou a mensalidade, não vês os 2 euros ou os 10 euros que se acumulam mês após mês”, explicou.
Esta forma de pensar exige uma mudança de perspetiva: em vez de encarar o corte como privação, deve ser visto como investimento num futuro mais sólido, de acordo com a mesma fonte.
Entre gerações: hábitos de consumo em mudança
O economista também destacou as diferenças entre gerações. Recordou que os atuais reformados estavam habituados a gastar menos fora de casa, simplesmente porque havia menos oferta. E que, tal como eles evocam os hábitos dos seus pais e avós, cada geração tende a olhar para trás com nostalgia, acreditando que “antes vivia-se melhor”.
Poupança e investimento de ‘mãos dadas‘
Arcocha foi categórico: poupar sem investir não chega. “Poupar sem investir é como pagar um buffet e não repetir”, comparou. A inflação acaba por corroer o dinheiro parado, e só o investimento garante que a disciplina da poupança se traduz em crescimento real, refere ainda, citado pelo Noticias Trabajo.
Ainda assim, o especialista alertou para o risco de viver numa lógica de escassez permanente. “Rascar o último euro em todas as partes é uma mentalidade de escassez. No fim, podes optar por não gastar nada, mas nesse momento acaba a tua capacidade de poupar.”
Equilíbrio é a chave
Assim, a chave está no equilíbrio: eliminar gastos desnecessários, manter disciplina, investir com inteligência e, sobretudo, adotar uma mentalidade voltada para a abundância em vez da privação.
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