A província de Ontário, no Canadá, avançou com o fim dos radares de velocidade municipais e já mandou desligar todos os dispositivos de fiscalização automática. O primeiro-ministro Doug Ford justificou a medida dizendo que estes equipamentos se tornaram uma forma ultrapassada de fazer dinheiro fácil, defendendo que já não são a melhor resposta para o excesso de velocidade junto a escolas e zonas residenciais.
Radares já estão desligados em Ontário
A nova lei que proíbe o uso de radares de velocidade instalados por iniciativa dos municípios levou a desligar os equipamentos colocados ao longo de vias suburbanas e nas imediações de estabelecimentos de ensino, com as autarquias obrigadas a avançar com a sua remoção. De acordo com o site especializado Razão Automóvel, que noticiou o caso com base na informação das autoridades canadianas, a decisão abrange todos estes dispositivos e representa uma inversão face à tendência de outros países, que têm vindo a reforçar a rede de fiscalização eletrónica.
Desde meados de novembro, as coimas deixaram de ser emitidas através destes sistemas automáticos, enquanto autarcas e entidades ligadas à segurança rodoviária insistem na necessidade de acelerar a substituição por outras soluções. Em várias localidades, a preocupação centra-se sobretudo nas áreas escolares e residenciais, onde o controlo permanente assegurado pelos radares desapareceu antes de estarem concluídas as novas infraestruturas.
Multas tardias e vandalismo na origem da decisão
O governo provincial argumenta que o modelo de fiscalização automática falhava na prevenção, porque as multas chegavam muito tempo depois da infração e já não influenciavam o comportamento imediato do condutor. A decisão foi ainda impulsionada por uma vaga de atos de vandalismo contra estes equipamentos, o que alimentou a perceção, em parte do eleitorado, de que os radares funcionavam sobretudo como geradores de receita e não como instrumentos de segurança rodoviária, tal como recorda o Razão Automóvel.
Lombas, rotundas e sinais luminosos como alternativa
Em vez destes radares, o executivo promete investir em medidas físicas de acalmia de tráfego, como lombas, rotundas, passadeiras sobrelevadas e sinalização com luzes intermitentes em zonas sensíveis. O ministro dos Transportes, Prabmeet Sarkaria, garantiu também a colocação de sinalização temporária e de maior dimensão nos locais onde existiam radares municipais, para lembrar aos condutores que continuam a atravessar áreas de risco reforçado.
Estas soluções têm custos acrescidos para os municípios e não geram receita, ao contrário das coimas associadas aos antigos dispositivos de fiscalização automática. Doug Ford anunciou, por isso, a criação de um fundo específico para apoiar as autarquias nesta transição, apresentando a medida como uma forma de privilegiar a segurança em detrimento da arrecadação de multas, ainda que o montante total do apoio não tenha sido detalhado.
Temores com período de transição
Apesar de muitos condutores terem saudado o fim dos radares de velocidade, a oposição e várias entidades ligadas à segurança rodoviária receiam um vazio de fiscalização até que as novas infraestruturas estejam plenamente implementadas. Marit Stiles, líder do New Democratic Party, avisou que, se um peão ou uma criança se magoar neste intervalo, a responsabilidade política recairá sobre o primeiro-ministro de Ontário, mantendo vivo o debate entre receitas, fiscalização eletrónica e segurança nas estradas, também destacado pelo Razão Automóvel.
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