Em 2024, a Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido realizou um estudo para compreender as aspirações e prioridades dos reformados britânicos com mais de 60 anos. A investigação foi conduzida junto da sua base de dados, composta por pessoas no Reino Unido que demonstraram interesse ou participaram em eventos organizados pela Câmara nos últimos cinco anos.
No passado ano de 2024, Portugal foi considerado o melhor destino de reforma na Europa e o segundo melhor a nível global, de acordo com o Annual Global Retirement Index. Mas o que torna Portugal tão atrativo para reformados, especialmente do Reino Unido?
Segundo Christina Hippisley, Diretora-Geral da Câmara de Comércio Portuguesa no Reino Unido: “Portugal oferece um conjunto de fatores único que o torna num destino ideal para reformados, sobretudo para os britânicos. O clima soalheiro é a razão mais evidente, escreve ao Portugal Resident. A nossa investigação revelou que 58% dos inquiridos apontam o clima favorável como o principal motivo para se mudarem. Para além disso, a cultura acolhedora, o custo de vida relativamente baixo e o acesso a cuidados de saúde de qualidade tornam o país muito apelativo para quem quer desfrutar da reforma.”
Quais foram as principais conclusões do estudo e de que forma se relacionam com o interesse em Portugal?
Segundo a mesma: “A nossa pesquisa revelou algumas informações interessantes. Mais de 68% dos inquiridos estão abertos à ideia de se mudarem para outro país na reforma. No entanto, 75% indicaram que a dificuldade de deixar para trás a família e os amigos pesaria na decisão. Portugal facilita essa transição, pois está relativamente próximo do Reino Unido e é possível viajar facilmente entre os dois países.”
“Outra descoberta relevante foi que mais de 36% dos inquiridos gostariam de continuar a trabalhar em regime parcial ou remoto durante a reforma. Portugal, com a sua infraestrutura digital em crescimento e um estilo de vida mais descontraído, é um excelente destino para esta tendência. Seja através de consultoria, trabalho remoto ou projetos pessoais, os reformados podem manter-se ativos profissionalmente enquanto desfrutam de um ambiente tranquilo e solarengo.”
Com o avanço da idade, as preocupações com a saúde aumentam. De que forma Portugal responde a estas necessidades e proporciona um melhor ambiente para os reformados?
C.H.: “A saúde é, de facto, uma das maiores preocupações. No nosso estudo, 87% dos inquiridos afirmaram que o acesso a cuidados de saúde teria um papel fundamental na decisão de se mudarem para outro país. Portugal tem um sistema de saúde de qualidade, tanto público como privado. Os reformados podem beneficiar do sistema público, que é bem avaliado, ou optar pelos serviços privados, que, comparados com outros países europeus, são muitas vezes mais acessíveis.”
“Curiosamente, apenas 20% dos inquiridos indicaram que a saúde seria a sua principal preocupação ao considerar uma mudança para o estrangeiro. Isso sugere que, embora importante, outros fatores como estabilidade financeira, qualidade de vida, opções de habitação e proximidade da família têm um peso ainda maior.”
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As questões financeiras são sempre um fator crucial no planeamento da reforma. O que revelou a vossa pesquisa sobre as prioridades financeiras dos reformados britânicos e como se posiciona Portugal neste aspeto?
“O nosso estudo mostrou que 51% dos inquiridos dão prioridade à segurança financeira e a desfrutar dos frutos do seu trabalho durante a reforma. Para alguns, isso também inclui garantir um património para as gerações futuras, com 8% a referirem que construir riqueza para os descendentes é uma preocupação importante. Além disso, 64,5% dos participantes já são proprietários da sua habitação principal, o que lhes proporciona segurança financeira e flexibilidade na compra de imóveis no estrangeiro.”
“Portugal apresenta diversas vantagens financeiras para os reformados. O custo de vida é, em geral, mais baixo do que em muitas cidades do Reino Unido, especialmente no que toca à habitação, serviços públicos e despesas do dia a dia.”
A investigação abordou também os desafios emocionais e logísticos de uma mudança para o estrangeiro, como a barreira linguística. Quão relevante é esta preocupação para os potenciais reformados?
C.H.: “A barreira linguística foi apontada como uma preocupação para 34% dos inquiridos, e é algo que pode ter impacto numa mudança internacional. No entanto, muitos expatriados percebem que conseguem gerir a vida em Portugal falando apenas inglês, sobretudo em zonas populares entre reformados, como o Algarve ou Lisboa, onde existem comunidades internacionais bem estabelecidas.”
“Dito isto, aprender português pode facilitar muito a integração e enriquecer a experiência de viver no país. Felizmente, existem várias escolas de línguas e grupos comunitários que ajudam os estrangeiros a adaptarem-se ao novo ambiente.”
Olhando para o futuro, o que continuará a impulsionar o interesse por Portugal como destino para os reformados britânicos?
Diz a Diretora-Geral: “Acredito que o interesse por Portugal irá continuar a crescer. Cada vez mais pessoas estão a adotar formas flexíveis de reforma, combinando lazer e trabalho remoto ou a tempo parcial. Estas pessoas procuram destinos que ofereçam uma excelente qualidade de vida, bem como vantagens financeiras. Portugal encaixa perfeitamente nesse perfil. Com melhorias constantes na infraestrutura, na saúde e nos serviços para expatriados, Portugal manter-se-á como uma das melhores escolhas para quem deseja aproveitar ao máximo os anos de reforma.”
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