Os italianos e os norte-americanos partilham o gosto por um ingrediente especial: a peperoncini. Esta pequena malagueta é presença habitual em pizzas, massas e sandes. Acredita-se que foi trazida do continente americano por Cristóvão Colombo. Em Itália, é também usada como amuleto contra o mau-olhado. Em Portugal, começa a ganhar destaque em várias receitas e espaços gastronómicos.
No centro de Olhão, no Algarve, a peperoncini deu agora nome a um novo restaurante. Inaugurado a 3 de abril, fica mesmo em frente ao mercado municipal da cidade. A inspiração veio do luso-americano Joseph Viegas, responsável pelo projeto. Aos 35 anos decidiu criar um espaço que homenageasse a sua história pessoal e encontrou nessa malagueta uma metáfora ‘perfeita’.
Um regresso às origens
“Nasci nos EUA, mas sou filho de portugueses e quando eu tinha dois anos viemos todos para cá”, conta Joseph em declarações à NiT. “Senti uma ligação com esta malagueta, que acaba por ter uma história parecida à minha”, acrescenta à mesma fonte. Para o empreendedor, a ligação à Itália também é simbólica. “Em Itália é usada como amuleto e remete para momentos de sorte que sucederam no momento certo”, sublinha.
Vários projetos, o mesmo objetivo
Este é o quarto espaço criado por Joseph Viegas, todos com conceitos distintos. O seu percurso começou com o restaurante mexicano Hola Torito, fundado pelos pais há dez anos. Em 2020, após o falecimento dos progenitores, decidiu continuar o legado familiar. Nesse mesmo ano abriu o Mogno, dedicado a refeições saudáveis. Um ano depois surgiu a Cestaria, com foco na cozinha tradicional portuguesa.
Segundo Joseph, a missão vai além da restauração: “o meu objetivo é criar espaços que coloquem esta cidade no mapa”. A dedicação aos projetos é evidente na forma como recorda as datas de cada inauguração. Cada restaurante nasce de uma ideia própria, pensada para preencher uma lacuna existente em Olhão. E o Peperoncini não foi exceção à regra.
Um ambiente pensado ao detalhe
O ambiente do novo espaço foi pensado ao detalhe, com uma forte inspiração italiana. A decoração foi criada com o apoio da arquiteta Liliana Reis e a sua equipa, da Plan Architectures. “Desenhou o espaço em tons de verde pastel, brancos e muitos mármores”, partilha o responsável. O objetivo foi criar uma atmosfera que remetesse para o sul de Itália. A coerência visual acompanha a identidade do restaurante.
Forno com selo italiano
No centro da cozinha está o forno, elemento-chave da casa. “É 100% italiano. Foi comprado lá e cada pedra montada cá”, revela o proprietário. A escolha do forno garantiu a base para uma confeção tradicional. Para o empresário, só com os equipamentos e ingredientes certos se alcança a qualidade pretendida. Este foi um dos maiores investimentos feitos no restaurante.
A carta dá primazia à cozinha tradicional italiana, com especial foco nas pizzas. Criadas em colaboração com o chef Tiago Almeida, há sugestões desde as entradas até aos pratos principais. Entre as opções, destaca-se a pizza de alho (7,50€) com tomate seco e mozzarella. Para prato principal, há propostas, como a Ragù Bolognese (16€) ou a Trufada (18€), com trufa e ovo de codorniz.
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O sabor da casa
Um dos pratos mais pedidos é a pizza que dá nome à casa, a Peperoncini Picante (14€). Esta inclui base de tomate, mozzarella fior di latte, salame peperoncino e a própria peperoncini. Para quem prefere sabores portugueses, há também a Frescura Dolce Algarvia (15€). A combinação de doce de figo, presunto e tomate cherry amarelo reflete a fusão entre o local e o italiano. É uma opção inspirada nos produtos da região.
Uma massa à italiana
A massa das pizzas é preparada com fermentação lenta, valorizando o sabor e a textura. “Queríamos algo com qualidade, mais estaladiça e igualmente saborosa, mesmo à italiana”, explica Joseph. O processo foi desenvolvido com orientação do chef Tiago Almeida. A fermentação longa confere leveza à base, permitindo uma digestão mais fácil. É uma das características diferenciadoras do menu.
Doces clássicos de Itália
As sobremesas também seguem as tradições da doçaria italiana. A ementa inclui tiramisù (6,50€), cannoli de chocolate (8€) e cassatina (7,50€). Há ainda o dolci sgroppino (6€), um gelado de limão com espumante. Apesar de o foco estar nas pizzas, o restaurante apresenta uma oferta doce consistente. Todas as sobremesas são preparadas no espaço, com ingredientes frescos.
A capacidade do restaurante é de 48 lugares no interior e 64 na esplanada. Ainda assim, a procura tem sido elevada desde a abertura. “No primeiro sábado em que abrimos servimos logo 145 jantares, sem esplanada”, conta Joseph. O sucesso foi imediato e colocou a equipa à prova logo nos primeiros dias. “Quase nem deu tempo para afinar a máquina”, admite o proprietário.
Novo ponto de paragem em Olhão
Apesar do ritmo intenso, a receção do público tem sido positiva. “O trabalho tem sido muito bem-feito e as críticas provam-no”, afirma com satisfação. As reservas tornaram-se recomendáveis, sobretudo aos fins de semana. O restaurante está situado numa das zonas mais movimentadas de Olhão. A sua localização junto ao mercado favorece o fluxo constante de visitantes.
Peperoncini afirma-se assim como um espaço de homenagem à cozinha italiana com raízes algarvias. A história pessoal de Joseph Viegas cruza-se com a tradição mediterrânica e o espírito empreendedor. O projeto junta ingredientes, saberes e experiências de diferentes culturas. Em poucos dias, tornou-se já um ponto de referência no centro de Olhão. E a pequena malagueta que deu nome à casa continua a conquistar novos paladares.
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