O litoral algarvio esconde recantos que conjugam história, tradição e paisagens naturais. Um desses locais ergueu-se em torno de uma praia que continua a ser ponto central da comunidade e imagem de marca para visitantes. Durante séculos, a pesca sustentou a economia local, com destaque para a sardinha e o atum, que garantiam o sustento de muitas famílias.
De acordo com o site da empresa de scooters Algarve Riders, o nome desta vila, Carvoeiro, tem origem árabe. A designação “Carboiere” significa povoação de pescadores, um reflexo direto da atividade que moldou a sua identidade.
Um passado marcado pela defesa costeira
A vila não foi apenas espaço de pesca e comércio. Segundo a mesma fonte, em 1544 registou-se um episódio que ficaria gravado na memória coletiva: as tropas de D. Pedro da Cunha enfrentaram e derrotaram o corsário turco Xarramet. Estes confrontos com piratas e corsários eram frequentes na costa algarvia, tornando a defesa marítima um desafio constante.
Ao longo dos séculos, a comunidade manteve a ligação ao mar, mas também se transformou num destino turístico que preserva traços da sua origem piscatória.
Praia em torno da qual tudo cresceu
A Praia do Carvoeiro é um dos postais ilustrados mais reconhecidos do Algarve. Escreve a publicação que as casas brancas dos antigos pescadores ainda marcam presença na falésia, de onde se avista o pequeno areal abrigado. Até a escola primária do Carvoeiro tem vista para o mar. Os barcos, que servem tanto para a faina como para passeios costeiros, partem dali para explorar grutas e algares do barlavento.
A curta distância encontram-se outros pontos de interesse, como a Praia do Paraíso, situada numa falésia, cujo pedaço de areia desaparece com a maré alta. Ali, as piscinas naturais e as rochas submersas atraem praticantes de mergulho.
Lenda que dá vida às falésias
Conforme o Algarve Riders, conta-se que a princesa Alfanzina, filha do rei mouro Benagil, se apaixonou por um jovem chamado Carvoeiro. Perseguidos pelo desagrado do pai, os encontros secretos terminaram em tragédia no Algar Seco, quando o rei trespassou o rapaz. As lágrimas da princesa teriam escavado aberturas nas rochas, onde o mar hoje se mistura com a memória dessa narrativa popular.
A história, passada de geração em geração, acrescenta ao cenário natural um valor simbólico que continua a fascinar moradores e visitantes.
Benagil, a gruta que correu mundo
Outro dos ‘tesouros’ próximos é a Gruta de Benagil, considerada pelo jornal britânico The Guardian uma das 10 Maravilhas Naturais do Mundo.
Escavada ao longo de séculos, a gruta destaca-se pela abertura no teto que deixa entrar a luz solar, criando um ambiente único. O nome “Benagil”, acrescenta a mesma fonte, resulta da junção da palavra árabe “Ben” com o nome cristão “Gil”, significando “filho de Gil”.
Entre praias, grutas e memórias, o Carvoeiro mantém-se como uma vila que cresceu virada para o mar, preservando a ligação às suas raízes piscatórias e ao mesmo tempo projetando-se como um dos destinos mais emblemáticos do Algarve.
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