O que começa com ovos, açúcar, amêndoas e um segredo conventual pode muito bem terminar com uma entrada no Guinness World Records. A doçaria tradicional algarvia tem os seus ícones, mas foi preciso um feito de grande escala para colocar um deles no mapa mundial. A proeza foi assumida por um grupo de doceiras que, em 2019, aceitou o desafio lançado pela autarquia local: criar o maior exemplar de sempre de um doce bem conhecido na região.
Foi na cidade de Lagos que, durante três dias consecutivos, dez doceiras trabalharam intensamente para produzir um Dom Rodrigo com 126,7 quilos. De acordo com o Sul Informação, a tarefa decorreu entre os dias 24 e 26 de julho de 2019, no refeitório da Escola Tecnopólis, um espaço com condições apropriadas para acolher o processo exigente de confeção.
Receita fiel à tradição conventual
O doce foi elaborado seguindo a receita tradicional originária do século XVIII, atribuída ao Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Lagos. Segundo a mesma fonte, os ingredientes incluíram 372 ovos inteiros, 2.940 gemas, 229 quilos de açúcar, 18 quilos de amêndoa moída, 45 litros de água e 360 gramas de canela.
O processo foi acompanhado por técnicos do Instituto Português da Qualidade e por um representante oficial do Guinness World Records. A ausência de qualquer tentativa anterior deste tipo bastaria para garantir o recorde, desde que a confeção respeitasse a receita tradicional e o peso ultrapassasse os 50 quilos.
Entrega oficial do Guinness decorreu na feira da cidade
O momento da consagração aconteceu às 18:25 h de uma sexta-feira, durante a abertura da Feira Concurso da Arte Doce. A então presidente da Câmara de Lagos, Maria Joaquina Matos, recebeu a placa oficial das mãos do juiz do Guinness, o espanhol Victor Fenes Vaca.
Antes da entrega, o Dom Rodrigo gigante esteve exposto numa plataforma refrigerada, envolto em papel vegetal e papel de prata de cor amarela. Ao seu lado, um Dom Rodrigo de tamanho regular, embrulhado em papel azul, servia de comparação.
Distribuição ao público e desaparecimento rápido
Após a confirmação do recorde, o doce foi desembrulhado pelas doceiras e pela presidente da Câmara. Segundo a publicação, centenas de pessoas assistiram à cerimónia e puderam provar o doce, cuja distribuição foi feita em tempo recorde, apesar do seu peso elevado.
Na altura, a responsável municipal destacou que o Dom Rodrigo é um elemento identitário da cidade e um fator diferenciador da oferta turística.
Origem e evolução da apresentação
O Dom Rodrigo foi originalmente servido em taças de vidro ou porcelana, sendo consumido à colher nas casas da nobreza. Conforme o Sul Informação, a forma atual, com embrulho em papel de alumínio colorido, surgiu na primeira metade do século XX, como estratégia comercial de uma doceira local.
Próximos passos: certificação do produto
Em declarações à imprensa em 2019, a autarca mencionou que a certificação do Dom Rodrigo será o próximo desafio, uma iniciativa com o objetivo de preservar a autenticidade da receita. Refere a mesma fonte que a Câmara de Lagos espera que a tradição seja transmitida às gerações futuras.
Com raízes conventuais e uma presença consolidada em eventos regionais, o Dom Rodrigo de Lagos é hoje reconhecido além-fronteiras. A entrada no Guinness representa não só um feito técnico, como um impulso ao reconhecimento da doçaria tradicional algarvia.
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